O combate à pedofilia no Brasil

Enviada em 23/10/2019

Em um episódio de Black Mirror, Shut Up and Dance, conta o enredo de Kenny, jovem introvertido que demonstra a vida comum de um adolescente. Até que um dia vai para seu quarto e se masturba, sem saber que estava sendo observado pela câmera do seu notebook. Então, começa um verdadeiro dilema por conta disso e no final, descobre-se que as fotos eram de crianças, fazendo inclusive, ligação ao início do episódio em que o personagem se apresenta atraído com o que é de cunho infantil. Contudo, devemos saber que pedofilia é uma psicopatologia, mas que pode se agravar quando o indivíduo comete o crime do abuso. Daí a importância de que haja um ensinamento sobre sexualização e um reajuste na forma de punir tal ato.

Em primeiro momento, vale salientar que a conceito de uma educação sexual é valida para que a criança saiba diferencia do que é permitido ou não. A nadadora brasileira Joanne Maranhão, comenta em entrevista a BBC: “Mais importante do que desmascarar o pedófilo é educar sexualmente as crianças. É preciso ter uma educação sobre isso, qual carinho pode, qual não pode, o que são certas coisas. É preciso falar disso em casa e na escola”. Em dados divulgados pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MDH), consta que recebeu 76.216 denúncias envolvendo crianças e adolescentes, aproximadamente 25% dos registros são referentes à violência sexual. Assim, uma base escolar e familiar se torna fundamental para que os jovens possam entender o que está acontecendo e saibam diferenciar quando o seu corpo está sendo violado, mesmo que por um simples toque.

Ademais, vale ressaltar que a pedofilia é considerada pela DSM-5 (5ª versão do Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders) como distúrbio mental. Do ponto de vista clínico, é necessário ressaltar que existem homens pedófilos que restringem o seu desejo de contato sexual com crianças a apenas fantasias, e outros homens que estão em risco de cometer um crime, pois fantasiar sozinho não satisfaz seu desejo sexual. Assim, a negligência do Estado é de apenas o SUS ter as referências em todo país, e consta que 57% das vítimas de violência sexual que chegam a hospitais têm de 0 a 14 anos. A falta de dados prejudica o combate, já que o primeiro passo para criação de políticas públicas contra o crime é saber o tamanho do problema.

Com os fatos apresentados, nota-se a importância de se ter no currículo escolar aulas de educação sexual, e para isso, o MDH e o Ministério da Educação, devem por meio das escolas de ensino fundamental oferecer palestras sobre tal assunto para crianças quanto para profissionais que trabalham com elas, com o fito de incentiva-las a romper um silêncio e conversarem com os especialistas para que se possam fazer as denúncias. Para que assim possa ser um pregresso no Brasil.