O combate à pedofilia no Brasil
Enviada em 08/10/2019
Um dos assuntos de maior repercussão na sociedade hodierna é o abuso sexual infanto-juvenil. Diante da elevação dos casos de pedofilia no Brasil, vem sendo discutida a implementação da educação sexual para crianças, o que gera polarização das opiniões. Indubitavelmente, a orientação e o acompanhamento dos jovens são as melhores formas de combater o fenômeno.
A priori, é válido ressaltar o perfil desse delito. Conforme aponta levantamento do Ipea, 70% das vítimas de estupro no país são crianças e adolescentes, sendo que a maioria dos agressores são familiares ou amigos, o que facilita o encobrimento da prática, quando há a supervisão deficiente dos menores. Dessa forma, ratifica-se que a negligência dos adultos gera impasses para a luta contra o assédio infantil.
Apesar da reivindicação de psicólogos e educadores, a efetivação da pedagogia sexual ainda enfrenta resistência do setor conservador, de forte influência no Poder Legislativo. Não obstante, segundo a pedagoga Caroline Arcari, a educação sexual bem orientada é uma das formas mais eficazes para diminuir a vulnerabilidade da criança perante a violência sexual. Nesse sentido, o conhecimento propicia a identificação do crime pela vítima e, por conseguinte, promove sua delação.
Nesse contexto, merece destaque a relação entre denúncias e esclarecimento sexual. De acordo com a OMS, nos países em que há informação de qualidade sobre a sexualidade nas escolas, houve a redução dos casos de abuso subnotificados, o que amplificou a investigação, punição dos agressores e apoio às vítimas, corroborando, portanto, o caráter benéfico do ensino sexual.
Diante do exposto, para que a pedofilia seja erradicada, é fulcral que o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, implante a pedagogia sexual na grade curricular brasileira, de forma a respeitar o desenvolvimento psicossexual típico de cada faixa etária, promovendo o combate ao assédio na sala de aula. Ademais, é preponderante a realização de campanhas de conscientização social sobre a importância do monitoramento dos infantes, a fim de evitar e/ou detectar o crime precocemente. Somente assim, estar-se-á garantindo uma infância saudável a todos.