O combate à pedofilia no Brasil
Enviada em 12/10/2019
Sob o viés filosófico do italiano Norberto Bobbio, a dignidade humana é uma qualidade intrínseca ao homem, e lhe dá o direito ao respeito e à consideração por parte do Estado. Diante disso, o abuso sexual infantil é uma chaga social presente na sociedade brasileira que avilta a dignidade humana da vítima e acarreta estigmas como transtornos de humor e depressão. Os dados de incidência de abusos sexuais no mundo e no Brasil evidenciam a necessidade de intervenção efetiva por parte da população em conjunto do Governo.
Primeiramente, é importante destacar a quantidade de crianças que sofrem abuso sexual no Brasil. De acordo com o Ministério da Saúde, ao menos 20 crianças de zero a nove anos são atendidas no Sistema Único de Saúde após serem vítimas de violência sexual. Tais dados demonstram que essa chaga social tornou-se crônica. Além disso, os dados do Sistema de Informação de Agravos e Notificação mostra que mais de 25% dos autores de abusos são conhecidos ou amigos da vítima. Com isso, as crianças, por não terem o senso crítico bem desenvolvido, são muitas vezes ludibriadas ou ameaçadas pelos abusadores, tornando as denúncias de abuso mais difíceis e de complicada investigação.
Outrossim, a Organização Mundial da Saúde estima que mais de 18% das meninas e mulheres de até 18 anos sofram com algum tipo de violência sexual no mundo. Essa realidade apontada pela agência de saúde demonstra a agressividade que os indivíduos do sexo feminino estão submetidos. De acordo com a filósofa Hannah Arendt, quando uma atitude agressiva ocorre constantemente, as pessoas param de vê-la como errada. De maneira análoga, o abuso sexual, em especial o infantil, deve ser combatido para que nunca se torne algo banal e nem negligenciado pela sociedade.
Portanto, para que o combate aos abusos e pedofilia no Brasil sejam vencidos, urge que o Ministério da Educação crie, por meio de verbas governamentais, cartilhas educativas que instruam as crianças sobre a importância de preservar o próprio corpo e recusar conversas com estranhos. Ademais, que o Ministério da Educação, em parceria com as instituições de ensino, promovam campanhas anuais nas escolas, por meio de palestras dadas por psicólogos e professores, a fim de alertar os pais, alunos e familiares sobre a importância de acompanhar tudo o que os filhos consomem e procuram, até mesmo no ambiente virtual. Simultaneamente, que sejam facilitadas as denúncias por abusos sexuais nas escolas, por meio de portais de denúncias inteligentes e de bom entendimento infantil, promovidos por pedagogos especializados. Nessa perspectiva, os abusos sexuais infantis serão cessados e diante disso, famílias e crianças possuirão mais consciência e dignidade.