O combate à pedofilia no Brasil

Enviada em 27/03/2020

A obra literária Lolita, de Vladimir Nabokov, apresenta o relacionamento entre Humbert, um homem de meia idade, e Dolores, uma mera criança, por meio das perspectivas do primeiro, que romantiza todo o abuso. Nesse aspecto, por mais que o romance seja uma publicação de 1955, a narrativa ainda é extremamente atual, visto que casos de pedofilia, como o praticado pelo protagonista, são recorrentes no Brasil. Isso ocorre sobretudo por causa da subnotificação dos crimes e da intensa sexualização de menores. Assim, diversas crianças sofrem diariamente com os efeitos a curto e longo prazo dessa forma de violência.

Nesse sentido, segundo o Ministério da Saúde, 33,7% dos casos de violência sexual contra menores de idade se repetem. Logo, é preciso evidenciar como a baixa quantidade de denúncias corrobora com os recorrentes casos de pedofilia, sendo que a maior parte delas não são realizadas por falta de informações da própria vítima, que nem sempre sabe impor limites e onde buscar ajuda. Se deve, também, a desinformação dos próprios familiares, que têm dificuldades em lidar com a situação e observar mudanças comportamentais delas. Além disso, a intensa erotização desse grupo etário, em diversas músicas e programas de televisão, que realizam a “adultização” principalmente de meninas, é capaz de influenciar atos criminosos contra esses vulneráveis.

Dessa forma, o médico austríaco Sigmund Freud, fundador da psicanálise, apresenta como a infância é importante na formação da sexualidade e identidade dos indivíduos. Por isso, vítimas de pedofilia podem sofrer com diversos traumas a curto e longo prazo, como regressão comportamental e introspecção, e distúrbios alimentares, sociais e sequelas psicossomáticas, respectivamente, que prejudicarão as importantes fases de desenvolvimento da criança.

Fica evidente, portanto, a necessidade do Ministério da Família, Mulher e Direitos Humanos, em parceria com ONG’s de proteção à infância, realizar campanhas informativas e de incentivo as denúncias. Com o intuito de combater os inúmeros casos de pedofilia, essas campanhas devem ser realizadas por meio de inserções publicitárias em mídias diversas, e através de palestras escolares, voltadas para toda a comunidade escolar, que visem a educação sexual tanto dos alunos quanto dos pais e professores, para que narrativas como a de Lolita não sejam normalizadas e banalizadas.