O combate à pedofilia no Brasil
Enviada em 13/05/2020
Durante a Idade Moderna, era comum que, a fim possuir maior prestígio social, famílias obrigassem a filha mais jovem a se casar com membros da nobreza. Por ser uma ação aceita naquele contexto social, a pedofilia exercida pelos reis era considerada um fenômeno típico por maior parte da população. Contudo, no contexto contemporâneo brasileiro, apesar da prática sexual com menores de idade ser considerada crime, nota-se que há uma perpetuação desse infeliz cenário. Nesse âmbito, o combate à pedofilia apresenta-se como um dever por parte do Estado, haja vista suas consequências psicológicas às crianças, no entanto, sua permanência também decorre de certo machismo midiático.
Antes de tudo, é válido mencionar a importância social do combate à pedofilia. A esse respeito, Immanuel Kant formulou a hipótese de que ações são consideradas éticas somente se promoverem o bem estar comum. Além disso, para o filósofo, os jovens não possuem a plena capacidade de realizar escolhas, sendo mais facilmente manipuláveis. Percebe-se também que a ascensão de danos psicológicos graves é bastante comum às crianças que passam por essa situação, haja vista as totais ausências de consentimento e de conhecimento dos jovens que passam por essa horrenda situação. Portanto, é notório que a intervenção estatal na proteção infantil contra a pedofilia configura-se de carater urgente, uma vez que esse controle opressor do adulto fere diretamente a ética.
Outrossim, é imperativo salientar a influência da indústria cultural na normalização desse crime. Acerca dessa premissa, os teóricos da Escola de Franfurt destacam que o capitalismo midiático impõe determinados padrões sociais, dentre eles, observam-se muito presentes na contemporaneidade os padrões corporais. Assim, parcela da mídia, ao idealizar corpos femininos perfeitos, gera uma cultura de valorização obsessiva aos corpos de mulheres jovens. Por conseguinte, vê-se que, de acordo com dados do Ministério da Saúde, cerca de setenta de dois por cento dos casos de pedofilia acontecem com mulheres. Dessa forma, a estrutura social machista moderna implica negativamente no aumento dos casos ao colocar padrões corporais mais próximos das jovens.
Em suma, o combate a essa prática apresenta-se como uma tarefa fundamental por parte do Estado. Cabe, então, ao Ministério da Educação, em parceria com o Legislativo, por intermédio da aprovação de um projeto de lei, ampliar a discursão do tema no ambiente escolar. Isso será feito a partir da participação ativa de psicólogos em eventos nas escolas de ensino fundamental e da educação infantil. Ademais, deverá ocorrer a presença dos pais dos alunos no local. Com isso, espera-se alcançar uma efetividade maior no combate à pedofilia no país, distanciando-se mais da realidade enfrentada na Idade Moderna e, simultaneamente, aproximando-se mais do modelo ético de Kant.