O combate à pedofilia no Brasil
Enviada em 19/05/2020
No livro “Lolita”, do russo Vladimir Nobokov, é narrada a história de Humbert, um homem de meia-idade, que abusa sexualmente de sua própria enteada: uma menina de 12 anos. Infelizmente, a história de Lolita não destoa da realidade brasileira, uma vez que muitas crianças são próximas dos seus abusadores e a falta de educação sexual tornam o combate à pedofilia no Brasil mais difícil.
Em primeiro lugar, a impossibilidade de traçar um perfil exato do criminoso é um fator crucial na dificuldade de identificação. Segundo o Ministério da Saúde, em cerca de 27% dos casos de abuso sexual infantil o autor foi um amigo ou conhecido da vítima. Dessa forma, assim como na narrativa de “Lolita”, grande parte dos crimes de pedofilia é cometido por uma pessoa de confiança ou próxima da família, alguém distante de qualquer suspeita. Por conseguinte, esse fator contribui para a subnotificação de casos e, muitas vezes, para a impunidade dos criminosos.
Além disso, a ausência de educação sexual nas escolas e nas famílias contribui para a perpetuação do problema. Segundo o filósofo Immanuel Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele, o que demonstra a importância do ensino e do aprendizado na vida individual. Tal máxima também deve ser aplicada na questão da educação sexual, uma vez que esta é uma forma de ajudar crianças a denunciarem seus possíveis abusos e agressores. No entanto, muitas famílias ainda veem esse ensino como “tabu”, o que prejudica a discussão e favorece a desinformação das vítimas de pedofilia.
Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para resolver o problema atual. Nesse sentido, além de promover campanhas de publicidade contra a pedofilia, o Estado e o Ministério da Educação devem criar um projeto de lei, que será entregue à Câmara dos Deputados, a fim de adicionar a disciplina de educação sexual como matéria obrigatória no currículo escolar. Isso deve ocorrer por meio de palestras e debates com psicólogos e agentes de saúde para que mais crianças se conscientizem e saibam denunciar casos de abuso sexual. Somente assim, o Brasil estará mais próximo de combater a pedofilia e mais casos, assim como o de Lolita, serão denunciados.