O combate à pedofilia no Brasil
Enviada em 21/05/2020
No livro “Lolita”, do russo Vladimir Nabokov, é narrada a história de Humbert - um homem de meia-idade - que abusa sexualmente de sua própria enteada: uma menina de 12 anos. Fora da ficção, a pedofilia no Brasil representa um problema alarmante que precisa ser enfrentado de forma mais organizada pela sociedade. Isso se evidencia não somente pela subnotificação de casos, mas também pelos traumas físicos e psicológicos enfrentados pelas vítimas.
Em primeiro lugar, a cada ano inúmeras crianças são abusadas no Brasil, porém ninguém é capaz de afirmar, com precisão, quantas elas realmente são. A subnotificação de casos de abuso sexual infantil revela um completo descontrole dos dados e uma dificuldade de resolução, afinal a dimensão do problema é bem maior. Tal fator é agravado pela ausência de um perfil exato do criminoso, uma vez que, em muitos casos, o agressor é uma pessoa de confiança ou próxima da família. Dessa forma, a impunidade corrobora para a persistência da pedofilia no país.
Por conseguinte, os traumas físicos e psicológicos são uma realidade para tais vítimas. Segundo Aristóteles, “política é a arte de gerir a polis visando ao bem comum”. No entanto, a máxima aristotélica não se figura por completo na sociedade atual, visto que, por conta da subnotificação, muitas vítimas de pedofilia não recebem o auxílio psicológico adequado. Dessa forma, os traumas vivenciados na infância continuam a interferir em sua vida adulta, acarretando em ansiedade, depressão ou em pânico.
Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para resolver o desafio atual. Nesse sentido, além de criar mais portais de denúncias para casos de pedofilia, o Estado deve criar um projeto de lei que será entregue à Câmara dos Deputados, a fim de tornar obrigatória a presença de psicólogos infantis nas instituições escolares. Isso deve ocorrer por meio de concursos públicos para que profissionais especializados no tratamento de crianças sejam contratados, assim mais casos de pedofilia serão denunciados e terão o acompanhamento psicológico ideal. Dessa forma, estaremos mais próximos do combate à pedofilia no Brasil e menos casos, como o de “Lolita”, sairão impunes.