O combate à pedofilia no Brasil
Enviada em 01/09/2020
O clássico literário Lolita, de Vladimir Nabokov, apresenta o romance de Humbert, um homem de meia idade, e Dolores, uma menina de apenas 12 anos, de forma naturalizada, visto que a narrativa é exposta por meio da visão do próprio abusador. A partir dessa perspectiva, apesar de ser uma obra de 1955, a narrativa ainda é extremamente atual, dado que graves abusos infantis ocorrem diariamente no Brasil, devido à precária educação sexual nacional, que induz à subnotificação dos casos, e à sexualização precoce de crianças. Assim, fica evidente a necessidade de medidas urgentes que modifiquem esse cenário.
Nesse sentido, a maior parte dos indivíduos dessa faixa etária não é ensinada a impor limites e buscar ajuda quando estes forem ultrapassados, os familiares geralmente não estão preparados para lidar com situações parecidas e, ainda, os professores não são devidamente treinados para enxergarem sinais de abuso e para prestarem a ajuda necessária. Logo, a maioria dos casos não são denunciados e, consequentemente, segundo o Ministério da Saúde, aproximadamente 35% deles se repetem. Ademais, é notória a intensa erotização de corpos infantis, em músicas que exaltam as “novinhas” e em programas de televisão, por exemplo, fato que motiva, em muito, os casos de pedofilia no país.
Dessa forma, segundo o médico e psicanalista Sigmund Freud, traumas durante a infância são capazes de gerar desdobramentos que afetam todo o desenvolvimento pessoal, dado que esse é um período de extrema importância para a formação da sexualidade e identidade do indivíduo. Diante disso, diversas vítimas podem sofrer com problemas físicos, como feridas nas genitálias, e psicossocias, como ansiedade e introspecção, durante toda a vida. Além disso, é possível que o desempenho escolar seja prejudicado, devido às consequências supracitadas, e ocorra até mesmo o abandono escolar.
Portanto, com vistas a proteger as crianças brasileiras, é essencial que o Ministério da Família, Mulher e Desenvolvimento Humano, em parceria com ONGs de proteção à infância, promova palestras educativas em ambiente escolar, voltadas para alunos, familiares e professores, em âmbito nacional, ministradas por médicos e psicólogos. Nesse aspecto, é fundamental que critiquem a adultização infantil, indiquem formas de perceber sinais de abuso e influenciem a denúncia em delegacias locais, para que casos como o de Lolita são sejam banalizados e idealizados. Para mais, com o intuito de preservar a saúde e infância desses vulneráveis, é preciso que o Ministério da Saúde garanta atendimento psicológico às vítimas, por meio de consultas gratuitas e periódicas, com profissionais devidamente qualificados, a fim de garantir um desenvolvimento seguro.