O combate à pedofilia no Brasil

Enviada em 19/09/2020

A obra ‘‘Utopia", do autor Thomas More, retrata uma sociedade perfeita, na qual um corpo padroniza-se pela ausência de conflitos. No entanto, diante da situação vigente enfrentada pelas crianças no que tange à pedofilia, a perspectiva do autor se mantêm apenas no plano literário. Nesse viés, é essencial destacar que o " pacto do silêncio", enfrentado pela vítima, atua como catalisador na propagação desse problema. Consequentemente, tal ocorrência pode gerar reflexos negativos na vida dos indivíduos que já sofreram esse tipo de violência.

A priori, Thomas Hobbes afirma que o ser humano é capaz de provocar perversidades perante o próximo em prol do favorecimento de seus próprios interesses. Partindo dessa tese, a hipótese adotada pelo filósofo configura-se  concretizada no atual cenário, haja vista a existência da violência sexual contra o público infantil. É notório que o “acordo do silêncio” da vítima favorece a permanência desse crime, posto que, muitas vezes, ela é ameaçada pelo agressor a se manter calada, principalmente quando se trata de agressão intrafamiliar e, assim, dificulta o rompimento do segredo. Com isso, percebe-se o quanto é importante conscientizar as crianças a denunciarem e procurarem ajuda.

Em segundo plano, vale ressaltar, ainda, os aspectos negativos causados pela pedofilia infantil. A princípio, a Constituição Federal defende que toda criança deve usufruir dos seus direitos fundamentais, sem prejudicar integridade física e mental. Contudo, diante do perpetuamento desse ato, é evidente a deturpação desses direitos, posto que tal prática acarreta consequências psicossociais, bem como, isolamento social, impactos na formação da afetividade e personalidade e, em casos mais severos, pode induzir à depressão. Dessa forma, compreende-se a substancialidade de ações mais promissoras dos agentes responsáveis, pois, segundo dados do Ministério da Saúde, todos os dias, 20 crianças são vítimas de abuso sexual.

Infere-se, portanto, a necessidade de medidas para o combate desse dilema. Primeiramente, cabe às escolas, cuja função caracteriza-se por ser um espaço de desenvolvimento e aprendizagem, em parceria com o Ministério da Mulher e Direitos Humanos, promover projetos que possam debater sobre agressão contra o público infanto-juvenil, por meio de palestras com profissionais a respeito da importância de denunciar e falar com alguém próximo a injúria sofrida, com o objetivo de orientar os alunos em como proceder mediante a um caso de abuso e proteger a integridade destas crianças. Ademais, a Assistência Social deve oferecer acompanhamento psicológico às vítimas, com o intuito de minimizar os traumas causados por essa experiência. Sendo assim, se tais atitudes forem postas em prática, o pensamento do filósofo irá se materializar.