O combate à pedofilia no Brasil
Enviada em 30/11/2020
Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente, torna-se crime os atos relacionados à pedofilia na internet e pornografia infantil. No entanto, mesmo com severas penas impostas aos que não cumprirem a lei, o número de vítimas de tal crime aumenta a cada ano. O machismo e o fanatismo religioso instaurados na sociedade e a desatenção dos pais para com seus filhos são os principais fatores que contribuem - voluntariamente ou não - com a pedofilia. Para tanto, surge a seguinte questão: por quanto tempo mais os erros da sociedade refletirão nas crianças brasileiras?
Em primeiro lugar, é válido destacar o crescente número de casos de abusos sexuais em meninas que, em maioria, possuem menos de 14 anos. Como exemplo, segundo “G1”, tem-se o caso de uma menina de apenas 10 anos que, ao ser violentada sexualmente pelo próprio tio, engravidou. Após o episódio repercutir nas mídias sociais, vários protestos - prós e contras - se iniciaram, a respeito do procedimento de aborto a ser realizado na criança. Dessa forma, não há como negar a existência de um extremismo religioso que, nessa situação, fez com que toda a atenção voltasse à vítima, enquanto o abusador, moralmente, saiu ileso. Analogamente, diversas meninas que sofreram abuso sexual recebem a culpa por “não se vestir adequadamente” ou “não se portar como uma moça”, fazendo com que o machismo ganhe força, quando, na verdade, já deveria ter sido extinto.
Além disso, pode-se ressaltar a superexposição das crianças à internet e redes sociais, fazendo com que fiquem vulneráveis a ataques de pedófilos. Para exemplificar tal situação, há o caso, segundo o programa “Brasil Urgente”, de um homem que se camuflava pela internet para marcar encontros com crianças, violentá-las e depois matá-las. A reportagem ainda anunciou que foram feitas mais de 50 vítimas e todas tinham acesso pleno à internet, autorizado por seus pais. Assim, fica evidente a falta de atenção e preocupação dos pais com seus filhos e tal erro, em muitos casos, pode custar vidas. Dessa forma, entende-se que, até que haja mudanças na sociedade, as crianças continuarão a sofrer.
Tendo em vista, portanto, os erros da sociedade que repercutem na vida, na saúde e na integridade das crianças brasileiras, cabe ao Ministério da Educação, juntamente com os pais ou responsáveis e às instituições de ensino, a criação de uma campanha de conscientização sexual às crianças, que pode ser realizado por meio de aulas e instruções - nas escolas e em suas casas - sobre autoconhecimento corporal e autodefesa, para que, assim, possam se defender e se precaver dos crimes cometidos por tais delinquentes, finalizando o ciclo de erros que já custou muitas vidas. Além disso, pedófilos e estupradores devem ser submetidos a penas mais severas, impostas pela lei, que respeitem os direitos humanos, mas que, de fato, façam justiça à todas as vítimas.