O combate à pedofilia no Brasil
Enviada em 21/12/2020
O livro “Lolita”, do escritor Vladimir Nabokov, retrata a doentia obsessão de um padrasto por sua enteada, uma menina de 12 anos. Fora da ficção a realidade, infelizmente, não é tão diferente, pois no Brasil a questão da pedofilia é um tema ainda em pauta, que possui raízes amargas na fragilidade socioemocional da vítima, bem como traz consequências, a curto e a longo prazo, muitas vezes, irremediáveis para estas.
Primeiramente, é importante destacar que uma das principais causas do abuso infantil é a vulnerabilidade socioemocional dessa faixa etária. Isso é demonstrado no longa-metragem, norte americano, “Preciosa”, em que a personagem principal sofre diversos abusos ao longo de sua infância, além de ser induzida a ter relações sexuais com o próprio pai. Portanto, vê-se que a criança por ser um indivíduo frágil e em processo de formação, pode ser facilmente coagida por adultos mal intencionados e, com isso, sofrer abusos devido a sua falta de senso crítico em relação à maldade no mundo.
Ademais, é imprescindível ressaltar os efeitos maléficos na vida de crianças vítimas de pedofilia. Nesse aspecto, a curto, prazo observa-se o isolamento social do jovem, que muitas vezes se cala perante tal ato de crueldade, assim como visto no filme “Preciosa”. Além disso, a longo prazo, vê-se que a vítima desenvolve traumas severos que se refletem no futuro desses jovens, como a anorexia, depressão e até mesmo dificuldade de se relacionar e confiar em outras pessoas. Nesse contexto, Segundo o psicanalista Sigmund Freud, as experiências traumáticas na vida de um indivíduo são absorvidas pelo seu subconsciente e, assim, tendem a se manifestar na forma de distúrbios psicológicos na posteridade. Dessa forma, é perceptível que vítimas de pedofilia tendem a desenvolver graves problemas relacionados a saúde mental em sua vida, o que atrapalha o convívio destas em sociedade.
Fica claro, portanto, que a pedofilia é um ato de crueldade que tem raízes na vulnerabilidade socioemocional de suas vítimas, e é responsável por trazer graves problemas ao desenvolvimento destas. Por isso, com vistas a combater os casos de pedofilia no Brasil, o Ministério da Família, em parceria com ONGs de proteção a infância, deve elaborar campanhas de incentivo à denúncia. Isso deve ser feito por meio de inserções publicitárias nas mídias de grande alcance, como a televisão e redes sociais, bem como a realização de palestras e treinamentos nas escolas a serem oferecidas aos pais e aos funcionários da educação. Além disso, é imprescindível trabalhar essa temática em sala de aula, com o intuito de reforçar o senso crítico nas crianças, para que elas possam ser capazes de reconhecer e, assim, denunciar possíveis casos de pedofilia conta si mesmas.