O combate à pedofilia no Brasil
Enviada em 28/12/2020
Na obra “Lolita”, um dos mais célebres livros da década de 50, o autor russo Vladmir Nabokov retrata um professor universitário de meia-idade que se torna sexualmente envolvido com a personagem após se tornar padrasto dela. De maneira análoga à prosa romântica, a pedofilia no Brasil é um problema condenável que, infelizmente, persiste na sociedade. Nesse contexto, tal problemática está associada ao tema “sexo” ser considerado um tabu e, também, à erotização feminina e infantil. Dessa maneira, torna-se indispensável analisar as principais consequências de tal postura negligente.
Primeiramente, antes de tudo, o tema “sexo” é considerado um tabu no ambiente familiar e no escolar. À vista disso, de acordo com o filósofo Michel Foucault, e sua obra “A ordem do discurso”, a família, ao ter receio de falar sobre esse tema, provoca um distanciamento dos filhos, evitando conversas que seriam necessárias nesse período da juventude. Ademais, as escolas adotam uma postura errônea ao considerar que tratar de assuntos sexuais com crianças e adolescentes seria um incentivo para iniciarem, de forma precoce, uma vida sexual. Por esse motivo, as crianças não adquirem informações importantes para o desenvolvimento e a própria proteção, visto que, cercadas pelo medo e do desconhecimento dos meios legais capazes de efetivarem a proteção contra essa violência, a criança se cala, o que perpetua esse problema de caráter hediondo na sociedade.
Por outro lado, segundo os sociólogos da Escola de Frankfurt, o entretenimento moderno está ligado aos interesses financeiros, consolidando a “Indústria Cultural” capaz de corromper com a identidade social e ética dos indivíduos. Destarte, a erotização feminina, inclusive infantil, é uma das principais responsáveis pelo abuso sexual precoce, uma vez que na sociedade pós-moderna, o desejo insaciável de obtenção de máximo lucro monetário faz com que a mídia, em grande escala, represente as crianças e adolescentes em seus comerciais e propagandas de maneira deturpada, associando-as ao perfil adulto. Em decorrência, a criança, muitas vezes, perde o ideal de ingenuidade e começa a ser associada aquela imagem midiática, o que corrobora para que a pedofilia continue acontecendo.
Portanto, os governos devem administrar maior parte do PIB do Estado para o Ministério da Educação, por meio de economistas que distribuirão o montante igualmente para cada município. Isto posto, as escolas poderão investir em professores especializados para planejar, organizar e dar aulas sobre educação sexual para cada idade escolar, de forma lúdica, através de projetos e deveres de casa para serem realizados com os pais. Assim, as crianças e adolescentes poderão adquirir informações necessárias para que consigam distinguir ações condenáveis como a pedofilia e a personagem “Lolita” se afastara da realidade vivenciada pelas crianças brasileiras.