O combate à pedofilia no Brasil
Enviada em 11/06/2017
Não ao tabu sexual
O abuso infantil é um grave problema na sociedade brasileira contemporânea. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 10 mil crianças de 10 a 19 anos em 2012 sofreram abuso sexual dos quais mais de 50 por cento ocorreram dentro de casa e tinham como provável autor do crime amigos e conhecidos. Isso revela uma vulnerabilidade expressiva da vítima que fica acuada e sem voz, tendo em vista que, muitas vezes, não apresenta espaço confiável para delatar a transgressão. Desse modo, observa-se que o tabu de conversar sobre a sexualidade com os jovens dificulta significativamente o combate à pedofilia no Brasil.
Em primeira analise, é importante perceber que há uma dificuldade da sociedade brasileira em discutir sobre sexualidade com as crianças e adolescente, principalmente nas relações paternais. Dessa forma, ao passo que os pais tratam o tema como tabu e não criam um espaço seguro para abordar o tema, os menores encontram mais dificuldade para tirar suas dúvidas ou revelar possíveis transgressões que possam estar ocorrendo. Assim, o jovem vulnerável ao se sentir sem apoio e com medo torna-se alvo mais suscetível ao pedófilo.
Além disso, nota-se que há uma deficiência na formação infanto-juvenil nas escolas, tendo em vista que muitas não têm educação sexual de maneira adequada. Partindo do princípio de Hobbes que todo homem é mal ou pode assim o ser ao outro, independente do vínculo familiar, mostra-se essencial essa abordagem para que o menor possa identificar qualquer abuso. Por meio dessas aulas a criança pode ser instruída a identificar violações, aprende que tem voz e que há uma rede de apoio que pode contar, o que fortalece sua confiança para denunciar. Apesar da importância desse tipo de educação , no Brasil existem apenas programas isolados tanto na rede pública quanto na privada, não havendo um projeto sistemático no currículo de forma geral. Com isso, por falta de informação o jovem apresenta-se mais vulnerável ao pedófilo, de modo que facilita a abordagem e também a manutenção da prática por dominação psicológica do ser ignorante do certo e errado e de seus direitos.
Fica evidente, portanto, que a dificuldade de abordar a sexualidade com os jovens pode prejudicar o combate da pedofilia no Brasil. Mostra-se essencial que os pais debatam sobre sexo com seus filhos para que eles tenham um espaço de confiança para relatar possíveis abusos. Ademais, é fundamental que o Ministério da Educação implemente um projeto curricular de educação sexual obrigatório nas escolas, envolvendo desde o primário, a fim de fornecer informação e apoio a criança e o adolescente e prevenir possíveis casos. Quebrar esse tabu é um caminho vital para acabar com a pedofilia no país.