O combate à pedofilia no Brasil
Enviada em 11/06/2017
Há 44 anos, uma menina de 9 anos foi sequestrada, estuprada, espancada e morta na cidade de Vitória - Espírito Santo. Exatamente no dia 18 de maio de 1973, a menina chamada Araceli saiu mais cedo da escola e desapareceu no caminho de volta para casa. O desfecho desta história trouxe à tona uma das maiores crueldades escondida nos meandros da sociedade: a pedofilia.
Até esta ocorrência pouco- ou nada- havia sido discutido sobre o abuso de menores no Brasil.O caso Araceli chocou em razão da divulgação do fato a todos os lares brasileiros: todas as mães, em todos cantos do país choraram a morte de Araceli.Olharam para seus filhos e pensaram que o mesmo poderia estar acontecendo na sua família.Desde então, estabeleceu-se esta data como um marco para combate a este mal que transita silenciosamente entre as diversas camadas sociais, credo e raça , razão pela qual este mal é de difícil percepção e punição.
A dificuldade começa pelo fato de o abusador geralmente encontrar-se entre pessoas de estreito relacionamento com a família e, muitas vezes, dentro dela. Frequentemente , são divulgadas notícias em todo o mundo, de casos bizarros de pedofilia, abusos de pais em relação aos próprios filhos ou de pessoas que deveriam zelar pela guarda e segurança do menor.O crime consiste na exploração da inocência da criança e do adolescente que desconhecem a natureza do abuso pois não conseguem distinguir o limite no qual o carinho ultrapassa o natural para crime.Sem saber como qualificar ou reagir diante desta situação, o menor se torna introspectivo, sofrendo em silêncio.O problema é que, quando este comportamento se torna evidente, os males físicos e emocionais já estão instalados.
Na tentativa de evitar que este mal, a pedofilia, continue fazendo vítimas pelo país, o senado aprovou, no último dia 05 de abril ,a lei que altera o Estatuto da Criança e do Adolescente com sequestro de bens dos infratores e a regulamentação para que os policiais atuem nas salas de conversa virtual, local de muitas ocorrências recentes de aliciamento de menores, para investigação e identificação destes criminosos.
Há muito que se fazer no combate deste tipo de crime.As escolas devem aprofundar e proliferar o trabalho que já realizam na educação sexual, com orientação para que as próprias crianças reconheçam o abuso , trabalhando em conjunto com os familiares, ficando atentos ao comportamento da criança e das pessoas com quem ela convive para que possam diagnosticar possíveis sinais desta violência, antes que sejam instalados problemas , físicos e psíquicos, de difícil tratamento.Por outro lado, este crime, de tal crueldade e covardia, deve ser investigado com dedicação pelo órgão de inteligência da polícia e punido, conforme as leis de crimes hediondos, já vigentes no país.