O combate à pedofilia no Brasil

Enviada em 12/06/2017

“A violência não é força, mas fraqueza, nem nunca poderá ser criadora de coisa alguma, apenas destruidora.” A frase de Benedetto Croce relaciona-se bem com a situação do Brasil hodierno, onde a violência infantil é uma problemática persistente. Em virtude disso, o choque e a indignação da sociedade, ocasionados pelos casos de pedofilia e abusos sexuais, precisam reverter-se em denuncia e combate, assim como as punições devem ser mais eficientes por parte do Estado.

Em um primeiro momento, é importante entender que pedofilia é uma psicopatologia, ou seja, um distúrbio de perversão que leva um adulto a sentir atração por crianças e adolescentes. Concomitantemente a isso, é sabido que, na maioria dos casos os envolvidos no abuso são pais, padrastos, tios, ou seja, pessoas de confiança e do convívio das vítimas. Desse modo, associado ao perfil do agressor encontra-se uma violência democrática que atinge todas as classes sociais e econômicas.

É portanto, um lamentável cenário que já abrigou mais de 175 mil casos de exploração sexual infantil e juvenil entre 2012 e 2016, de acordo com o balanço de denúncias recebidas pelo Disque 100. E que apesar de causar tanto repudio na sociedade, ainda configura uma pequena ponta do iceberg, pois a vulnerabilidade, a dificuldade de acolhimento, o medo, o sentimento de não ter voz e tantos outros fatores ainda são empecilhos ao combate das transgressões sofridas.

À luz dessas considerações, com um fito positivo, o presidente Michel Temer sancionou duas novas legislações para melhorar a eficiência das punições, uma delas estipula a perda obrigatória de bens e valores. É imprescindível também o papel da escola de sensibilizar, ensinando a fisiologia e educando contra os mais diversos tipos de abuso. Ademais, cabe a família identificar mudanças de comportamento, ensinar a não se expor em rede, a dizer “não” a convites e dizer também se algo incomoda. À sociedade e à mídia cabe vestir-se como agentes de proteção que eliminam a erotização e a exposição, além de denunciar e acolher.