O combate à pedofilia no Brasil

Enviada em 12/06/2017

Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, aproximadamente 600 crianças vítimas de algum tipo de violência sexual são atendidas pelo SUS a cada mês. A questão é ainda mais alarmante considerando o número substancial desse tipo abuso que continua no anonimato.

Apesar dessa prática ser repudiada publicamente pela maioria dos grupos humanos contemporâneos, há resquícios no imaginário popular (principalmente em indivíduos do gênero masculino), de uma época em que crianças não eram socialmente consideradas diferentes dos adultos, que preserva uma sensualização da menina impúbere, algo evidenciado nas representações pornográficas em temas com professores chantageando alunas ou na simples expressão “Lolita” baseada na adolescente abusada pelo padastro na obra homônima de Vladimir Nabokov. Também não é incomum ver adolescentes sexualizadas pela indústria da moda ou então em várias mídias audiovisuais.

Ainda mais grave do que esse tratamento quase que inconsciente de enxergar uma antecipação na maturidade sexual dos jovens, acaba sendo as atitudes extremadas de grupos que tem consciência de que os abusos que praticam são condenados publicamente, mas ainda assim continuam com suas ações criminosas, na maioria das vezes abusando de crianças próximas de seu convívio particular, coagindo menores para a prostituição e também, numa era de tecnologia da informação, consumindo pornografia infantil nas privadas redes do submundo da Deep Web.

Por certo, combater a pedofilia é uma obrigação de todo individuo que possui ferramentas como o “Disque 100” para denunciar práticas abusivas contra os jovens. À polícia cabe  investigação de casos virtuais e aplicar as punições previstas em lei. Também é preciso que comissões interdisciplinares de médicos, doutores da jurisprudência, representantes políticos e da sociedade discutam e definam criminalmente casos em que o acusado seja portador de uma patologia psíquica e se, nesse caso, leis prevendo uma castração química devem ou não ser consideradas.