O combate à pedofilia no Brasil
Enviada em 12/07/2021
Na obra “Lolita”, o escritor Vladimir Nabokov denuncia de maneira sórdida a pedofilia através do “relacionamento” do personagem principal com a filha de apenas 12 anos de sua esposa. Saindo da ficção, nota-se que a arte imita a vida, uma vez que no Brasil os casos de abusos sexuais contra crianças e adolescentes, como no livro, é ainda muito frequente. Assim, torna-se crucial entender a origem dessa violência e como ela se reconfigura para se reproduzir nos dias atuais.
Em uma primeira análise, para entender a persistência de casos de pedófilia no corpo social brasileiro é imprescindível analisar a sua origem patriarcal. Segundo levantamento apontado pelo jornal Globo, três crianças ou adolescentes são abusados sexualmente no Brasil por hora, sendo a maior parte do sexo feminino , Nesse aspecto, infere-se que durante séculos o país se moldou apoiado em uma base machista que sempre objetificou principalmente meninas ao contribuir com a manutenção de uma ideia misógina do feminino como propriedade. Dessa forma, esse comportamento repugnante está intrínseco a uma parte doentia da população - majoritariamente masculina - que sente prazer ao “dominar” expoentes frágeis e alienáveis como uma forma de projetar poder sobre algum indivíduo.
Além disso, é necessário entender o papel da internet na facilitação de situações de violência sexual contra menores de idade no cenário contemporâneo. De acordo com o filósofo Marshall McLuhan, a tecnologia tem a incrível capacidade de encurtar distância. Entretanto, essa ferramenta digital trazida com o advento da Revolução Técnico-Científica, apesar de seu lado bom, caracteriza-se também por um lado obscuro no qual é possível perceber o seu mal uso para a prática criminosa do assédio sexual infanto-juvenil. Dessa maneira, pela falta de fiscalização dos responsáveis e a facilidade da comunicação por meio de redes sociais e jogos, muitas vezes, crianças e jovens terminam se transformando em alvos bastante vuneráveis. Prova disso é a operação “Luz da Infância” realizada no Sul do Brasil para impugnar a perpetuação de pederastas por meio da internet.
Portanto, uma ação de combate à atos de pedofilia no tecido social brasileiro é imperativa. Para isso, é fundamental que o Ministério da Mulher, Familía e Direitos Humanos junto ao Ministério da Educação atue, por meio da implementação de campanhas de concientização sobre a urgência da implantação de educação sexual nas escolas dos 5570 municípios nacionais, aumentando a possibilidade de jovens e crianças reconhecerem os abusos e procurarem ajuda. Essa atitude tem como objetivo assegurar a segurança da base infanto-juvenil brasileira e ampliar a identificação de novos casos. Afinal, deve-se extiguir o aparecimento de novas “Lolitas” no Brasil.