O combate à pedofilia no Brasil

Enviada em 12/07/2021

No livro “Um caso perdido”, escrito por Collen Hoover, a protagonista, Sky, de 18 anos, não consegue se fixar em relacionamentos por causa da sua infância conturbada, em que era abusada pelo próprio pai. Fora da ficção, a questão da pedofilia ainda é comum e, assim como acontece com a personagem principal, deixa marcas e frustrações. Desse modo, discutir sobre a importância da implementação da educação sexual nas escolas e sobre a necessidade das denúncias às autoridades, mesmo que anônimas, faz-se crucial para o combate à violência sexual.

Sob esse viés, é fundamental a colaboração das escolas com conversas e explicações sobre os limites dos próprios corpos às crianças. A notícia divulgada no “Diário de Pernambuco”, por exemplo, contou a história de uma garota que foi estuprada pelo amigo de seu pai por 3 anos, porém só veio descobrir o que é abuso em uma matéria de jornal. Por isso, a educação sexual precisa passar a ser vista como uma necessidade, e não como um tabu. Dessa forma, os jovens saberão que aquele tipo de violência é errado e carece de acusações imediatas.

Outrossim, é também indispensável a denúncia dos atos de abuso, ainda que sejam intrafamiliares, com o objetivo de uma ampliação da atuação do governo nos casos de pedofilia. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 20% das mulheres de até 18 anos sofrem ou sofreram de algum tipo de violência sexual. Entretanto, as autoridades só conseguem chegar a uma parcela dessas situações, porque muitas famílias optam por manter em segredo. Nesse sentido, é inevitável, para a diminuição de vítimas de estupro, a exposição de tais ocorrências, mesmo de maneira anônima, pois é imprescindível que todas as crianças tenham atenção, assim como está exposto nos valores do Estatuto da Criança e do Adolescente.

Fica evidente, portanto, que a sociedade ainda precisa avançar no debate acerca da luta contra a pedofilia no Brasil. Logo, é dever do Ministério da Educação, órgão responsável pela elaboração e execução da Política Nacional da Educação (PNE), integrar o ensino sexual às escolas de modo obrigatório, por meio de diálogos e esclarecimentos sobre os locais íntimos das crianças para que as mesmas possam reconhecer e, imediatamente, denunciar caso seus limites sejam rompidos. Então, é essencial que a família ou algum responsável incentive e apoie a vítima em suas acusações, através da observação de seu comportamento e uma conversa objetiva, buscando dar ao agressor o merecido e à criança o cuidado necessário. Desse jeito, cada vez menos adolescentes passarão pela situação delicada de Sky e, os que passarem por ela, conseguirão amenizar o sentimento de desgosto mais facilmente.