O combate à pedofilia no Brasil

Enviada em 07/07/2021

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a pedofilia é um transtorno psicológico que ocasiona uma atração, em um indivíduo, por crianças e adolescentes de até 13 anos. Além disso, segundo a entidade, esse distúrbio, assim como várias outras patologias, deve ser tratado por meios terapêuticos ou por via de medicamentos. Entretanto, essa realidade não é observada no Brasil, já que essa doença, no país, é marginalizada pela disseminação da desinformação e pelo comportamento típico do brasileiro, o que dificulta o seu combate.

Mormente, segundo Joseph Goebbels, ministro da propaganda da Alemanha Nazista, uma mentira dita mil vezes torna-se verdade. De forma breviloquente, pode-se afirmar que essa assertiva é pertinente à realidade vivenciada no Brasil contemporâneo, na qual observa-se uma série de informações falsas propagadas diariamente. Ao associar esse fato à temática da pedofilia, fica evidente que diversos veículos de comunicação, de forma sensacionalista, acabam por associar o transtorno mental ao abuso sexual de crianças. Todavia, faz-se mister frisar que, segundo o psiquiatra Danilo Baltieri, cerca de 80% dos abusadores de crianças não são portadoras desse distúrbio. Desse modo, é indubitável que há uma disseminação de desinformação sobre esse assunto no país, o que colabora para uma marginalização do tema.

Consequentemente, ao conviver diariamente com notícias que distorcem o termo de pedofilia proposto pela OMS, a população do Brasil acaba por acatar que a pedofilia é, obrigatoriamente, crime. Ademais, segundo o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, o brasileiro é um homem cordial, ou seja, age, muitas vezes, por meio da emoção em detrimento da razão. De modo sucinto, pode-se dizer que esse comportamento típico é prejudicial ao combate a esse transtorno no país, tendo em vista que muitas pessoas disseminam ódio contra os pedófilos, mesmo que eles não tenham cometido abuso sexual, por causa do estigma do termo da patologia. Dessa forma, percebe-se que há um preconceito contra pessoas que portam esse distúrbio, o que dificulta que elas exponham seus problemas e que consigam um tratamento adequado.

Portanto, fica evidente que o combate à pedofilia no Brasil é prejudicado pela associação do transtorno ao abuso sexual infantil e pelo comportamento da população brasileira. Sob tal perspectiva, faz-se mister que o governo federal, por via do Ministério da Saúde, mitigue essa realidade, por meio de palestras conscientizadoras aplicadas em escolas, a fim de mostrar o real conceito de pedofilia e, consequentemente, dar mais importância a essa temática. Só assim haverá a formação de uma sociedade com mais conhecimento sobre o tema, o que facilitará o tratamento de pedófilos.