O combate à pedofilia no Brasil
Enviada em 09/07/2021
Em sua obra “Casa Grande e Senzala”, o sociólogo Gilberto Freyre ,ao explorar novos pontos de vista sobre a história do Brasil e sua sociedade, aborda a origem colonial da cultura de erotização de corpos negros, indígenas e infantis realizada pelos europeus, e sua naturalização no decorrer do período entre 1500 e 1870. Entretanto, apesar do hiato temporal secular, nos dias atuais a pedofilia infantil no Brasil continua figurando como grave problema social, insuficientemente debatido dentro das famílias e da sociedade. A partir desse viés, faz-se imperiosa um debate a cerca dos meios de combate desse quadro de anomia social, destacando o poder da mídia como agente de mudança social e gerador de debates.
Com efeito, nota-se que um importante meio de enfrentamento aos crimes sexuais à infantes no país continua sendo a divulgação de informaçoẽs sobre a temática, como os meios de denúncia, os direitos de proteção estabelecidos pelo Estatuto da Criança e Adolescente, e os sinais emitidos pela vítima. Segundo órgão do Ministério da Saúde, em 26,5% dos casos de abuso sexual em crianças de até nove anos de idade e 29,9% dos adolescentes até 19 anos são praticados por algozes conhecidos, geralemente, um amigo da família ou próprio ente familiar. A partir dessa perspectiva, fica entendido que há, na maioria dos casos, uma omissão e negligência das responsabilidades parentais, uma vez que é papel dos tutores zelar, observar as circuntâncias de desenvolvimento domiciliar e os estados emocionais e físicos das crianças. Desse modo, o acesso à informação de como identicar sinais de abuso nas crianças, como mudanças de humor, introspecção, automutilação, é o primeiro passo de superação dessa complexa luta social, que faz vítimas em todas as regiões e classes sociais.
Sob esse viés, ainda é válido destacar a necessidade do combate à pornografia infantil como forma de enfretamento à pedofilia no Brasil, uma vez que aquela estimula e naturaliza essa problemática cultural. Assim, a pedofilia na era digital ganhou um novo viés ao facilitar o acesso de abusadores a imagens, vídeos que sexualizam crianças e adolescentes em redes sociais, e criar gatilhos que levam a práticas de violência física. Ademais, com 99% de crianças com até 19 anos registradas no Facebook, segundo apuramento de dados da própria empresa, é indescutível a vulnerabilidade do público diante a manipulação e estratégias de sedução de pedófilos e pessoas má intencionadas.
Postanto, faz-se imperativa uma ação de combate à pedofilia no Brasil . Para isso, é imprenscindível a atuação da imprensa socialmente engajada, por meio da mídia de amplo alcance, como televisão, redes sociais e rádio na divulgação de informações relacionadas as formas de denúncia, os cuidados a serem tomados com vítimas de abuso e principalmente, os sinais a serem analisados, obejtivando, assim, o fim dessa cultura de erotização construída na sociogênese do país e perpetuada por séculos.