O combate à pedofilia no Brasil

Enviada em 11/07/2021

Durante a Colonização Portuguesa, as embarcações com ¨degredados-lançados¨ da capital vinham ao Brasil com alguns menores de idade -órfãos e ladrões, por exemplo-, ao longo das viagens era comum a ocorrência de crimes sexuais contra esse grupo de infantes. Entretanto, atualmente, esse tipo de crime, lamentavelmente, ainda não deixou de ser comum. Portanto, atitudes como quebrar o tabu da sexualidade em meio a uma sociedade conservadora e o maior engajamento popular em questões de ordem pública são de extrema importância para efetivar o combate à pedofilia no Brasil.

Primeiramente, o tabu relacionado à sexualidade facilita a ocorrência indesejada de crimes infantis. Isso ocorre, porque a censura cultural impede o acesso à informação, visto que o diálogo com as crianças, acerca de temas considerados obscenos e adultos, é evitado. A consequência disso é a manutenção dos altos números de casos registrados de abuso infanto-juvenil. Sendo assim, como já dizia o filósofo iluminista Rousseau:¨Não educar já é educar¨. A partir dessa passagem, é possível relatar que quando a criança não é educada para estranhar ou denunciar alguma situação, como a realização de crimes sexuais, por exemplo, a tendência é que ela naturalize ou seja silenciada por não saber como agir diante dessa realidade. Dessa maneira, reforça-se a relevância da educação sexual infantil no combate à pedofilia.

Outrossim, a inexpressiva participação popular em temas socialmente impactantes, como a pedofilia no Brasil, ocasiona o afastamento dessa realidade inaceitável da atuação comunitária. Com isso, não raro, o que o sociólogo Nick Couldry conceitua como ¨Crise de vozes¨ ocorre. Esse conceito se refere ao silenciamento de indivíduos que sofreram ou sofrem crimes, muitas vezes normalizados, devido à falta de representatividade ou espaço para discutí-los. De maneira análoga, acontece com as vítimas de pedofilia, as quais, frequentemente, são caladas, seja pela sociedade omissa, seja pelo abusador que as amedronta. Logo, é nítido o quão significativo seria abrir espaço para dialogar acerca da pedofilia no país, transparecendo uma ideia de união contra crimes infantis e pessoas psicológicamente doentes, os pedófilos.

Ante o exposto, cabe ao Poder Público assegurar os direitos da criança e do adolescente, mediante a criação de leis referentes à obrigatoriedade da realização de aulas de educação sexual nas escolas brasileiras, em que profissionais capacitados demonstrarão, de maneira recreativa, as situações em que devem denuciar, a fim de proteger a infância e juventude da nação contra a pedofilia e dos crimes infanto-juvenis. Ademais, é dever da mídia promover maior espaço para debater sobre a pedofilia, buscando engajar a sociedade brasileira acerca desse tema.