O combate à pedofilia no Brasil

Enviada em 19/07/2017

De acordo Freud, os episódios vividos na infância têm o poder de marcar não apenas a memória dos indivíduos, como também são capazes de constituir suas personalidades. Assim, essa fase da vida necessita de grandes cuidados e atenções. No entanto, o assédio sexual a crianças é uma realidade ainda frequente no Brasil e, portanto, precisa ser combatido com mais ênfase por meio de ações sociais e políticas.

O Ministério da Saúde estima que, aproximadamente, 7 em cada 10 pedófilos são do sexo masculino. Esses dados apontam para a permanência da cultura do machismo na sociedade brasileira, na qual, geralmente, os homens são ensinados a impor suas vontades acima do respeito ao próximo dentro do próprio seio familiar. Desse modo, sentem-se capazes de violentar tanto mulheres quanto crianças. Agravando esse cenário, está o problema da mitificação do sexo. Ao tornar o sexo um tabu, as crianças não são capazes de identificar um abuso e, frequentemente, não o reportam aos responsáveis. Logo, o agressor permanece oculto.

Por fim, mesmo quando os criminosos são identificados, as famílias deparam-se com a dificuldade de punição devido às carências das instituições. Apesar do elevado número de denúncias, poucas cidades do país possuem delegacias da Infância e da Juventude para fornecer atendimento adequado ao público. Ainda, a ação dos conselhos tutelares é travada pela escassez de recursos, que os impossibilita, muitas vezes, de deslocarem-se até as vítimas e fornecerem a proteção necessária.

Fica claro, assim que o combate aos abusos infantis deve ser intensificado no Brasil. Com esse objetivo, as emissoras de televisão exibirão o tema em novelas, para conscientizar as famílias sobre a importância de falar abertamente sobre sexo com as crianças e orientá-las sobre a preservação de sua individualidade. Por sua vez, os governos estaduais destinarão mais recursos aos conselhos tutelares, munindo-os com mais carros, lares provisórios e recursos humanos, bem como ampliarão o número de delegacias especializadas na infância e juventude.