O combate à pedofilia no Brasil

Enviada em 31/07/2017

É indiscutível que a pedofilia no Brasil representa um desafio a ser combatido de forma mais organizada e urgente em nossos dias. Isso se evidencia não só pela grande quantidade de denúncias envolvendo essa prática mas também pelos poucos mandados de prisão decorrentes de suspeitas de pornografia infantil. Nesse contexto, é necessário analisar essa questão para combatê-la de forma eficiente e pragmática.

Se no imaginário popular o romance Lolita, do escritor russo Vladimir Nabokov, consolida uma história de amor frente às adaptações hollywoodianas, para muitas “lolitas brasileiras” a história se enquadra em classificações diferentes e traumatizantes. Assim como no romance de Nabokov, em que a personagem principal é submetida a uma série de abusos, mais de 17,5 mil crianças e adolescentes sofreram algum tipo de violência sexual no Brasil em 2015, segundo dados do Disque-Denúncia Nacional. De mesmo modo como ocorrido com a protagonista do enredo, muitas violações acontecem dentro da própria casa, cometidas por pessoas conhecidas e próximas da vítima e de seus familiares. Lamentavelmente, poucas crianças são cientes do que condiciona ou não abuso sexual e não relatam de início o que lhes está acontecendo, dificultando, assim, a intervenção de terceiros.

Convém lembrar ainda que qualquer forma de pedofilia deve ser combatida e isso inclui, principalmente, a divulgação de pornografia infantil. Frente a essa problemática, a Polícia Federal  Brasileira segue atualmente com a segunda fase da operação homônima à política implantada durante o governo de Mikhail Gorbachev. A Glasnost mobilizou cerca de 350 policiais federais em 14 estados para cumprir 72 mandados de busca e apreensão de suspeitos de disseminação de conteúdos pornográficos que envolvam menores de idade, segundo a agência de notícias da PF. No entanto, apesar de ser uma operação com bons resultados, a internet ainda tem milhares de sites com conteúdos como esse e polícia federal não tem tantos recursos que os auxiliem nas buscas pela web.

Com isso, cabe a organizações como a Chilhood, elaborar campanhas envolvendo a distribuição de cartilhas que tanto ensine os pais a dialogarem e alertarem seus filhos sobre pedofilia como também façam divulgação de números e sites em que denúncias possam ser feitas, a fim de que as crianças saibam diferenciar violação de afeto e os familiares e amigos estejam cientes dos mecanismos que lhes estão disponível para denúncia. Empresas como a Google devem, ainda, montar equipes de engenheiros para monitorar e rastrear conteúdos que envolvam pornografia infantil, para que a Polícia Federal tenha mais recursos para encontrar e prender criminosos e, por fim, promover a eliminação desse tipo de conteúdo da rede para que ninguém tenha mais acesso.