O combate à pedofilia no Brasil
Enviada em 24/08/2017
A diversidade humana sempre existiu, e a história revela os percalços da difícil convivência entre os diferentes. Desde tempos mais remotos as pessoas são classificadas e, devido a atribuições de valor, são produzidas hierarquias.Dessa maneira, a cultura brasileira aloca de forma particular a criança, cujo único compromisso é com o gozo de viver. Além disso, ocorre, desde a segunda fase do Romantismo, a idealização da infância como um momento idílico da vida. Isso contribui com o sentimento narcisista de que o mundo existe para a satisfação dos desejos individuais.
É por esse motivo que, até hoje, em uma sociedade democrática em que pressupõe liberdade individual, segurança e bem-estar na vida em sociedade, ocorre a objetificação e a erotização das crianças- principalmente meninas- que culmina na exploração sexual e infantil. Pero Vaz de Caminha em uma carta ao Rei de Portugal se referia as jovens índias como “bem moças e bem gentis”, dando indícios de que desde a colonização já havia traços desse tipo de violência.
No contexto brasileiro atual, entre os aspectos facilitadores desta condição, na qual se vê destruída a infância, encontram-se as vulnerabilidades decorrentes da situação econômica. Tal conjuntura é agravada pelo desenvolvimento de vícios durante a infancia. Estas circunstancias são responsáveis pelo alto índice de prostituição de menores que eleva o Brasil ao status de rota do turismo sexual, a despeito de todos os esforços do Estado no enfrentamento deste problema.
Diante desse diapasão faz-se mister vincular o enfrentamento da violência sexual de crianças e jovens a construção de um projeto societário emancipador- que permita o exercício pleno e universal da dignidade humana em toda a diversidade, mediante relações efetivamente democráticas, justas e solidárias. Para tanto, defende-se maior presença do tema na agenda pública, envolvendo distintos segmentos sociais, com destaque para a presença mais diversificada da mídia. Aos grupos formadores de opinião, tais como a família, os professores e a mídia, cabe a formação de indivíduos empáticos, que reconheçam o outro como um ser dotado de pluralidades, e não, como um objeto destinado a satisfação de seus desejos, por meio da promoção do diálogo e da tolerância. Por último, ao Estado, como gestor dos interesses coletivos, compete fazer campanhas efetivas e garantir, por meio de políticas públicas, os direitos básicos a esses jovens visto que a construção da identidade se dá a partir das condições reais de vida. Já dizia Arnaldo Antunes, “o corpo tem alguém como recheio”.