O combate à pedofilia no Brasil
Enviada em 30/08/2017
A violência sexual sofrida por menores é praticada, principalmente, por indivíduos que têm a confiança da criança (familiares, amigos etc). Ocorre em diferentes estratos sociais e, na sociedade brasileira, está historicamente arraigada.
O abalo psicológico da criança que é vítima dessa violência é sempre doloroso e de grande curso. Mas é intensificado quando a ação parte de alguém que deveria protegê-la, ser seu apoio e arrimo. Sua compreensão do relacionamento humano e da confiança corre sérios riscos de lesões emocionais que podem acompanha- lá pelo resto de sua vida.
Constata-se que a violência é silenciada nas camadas mais pobres pela imposição do medo pelo agressor, da desconfiança na justiça, “justiça é só pra rico”, pela vergonha e pela falta de informação. Nas classes mais abastadas o fator vergonha ganha novos contornos: a preocupação com o verniz social que se manifesta na forma de acordo tácito da família em não denunciar a agressão, principalmente quando a agressão sexual não deixa sequelas aparentes.
Fatores históricos e culturais como: piadas de mau de mau gosto, que são incentivadas através das gerações, cujo alvo, atinge com mais impacto, adolescentes do sexo feminino. O machismo que criou uma cultura de depreciação da mulher e o estigma de uma sociedade que valoriza a lei do mais forte e justifica o poder em detrimento ao mais fraco; contribuem para protelação do problema. A cultura religiosa, equivocada, que valoriza, também, o machismo e o poder, influencia negativamente, apesar de em tese e teoricamente combater essas agressões.
Diante do exposto, faz - se necessário enfrentar o problema sem o preconceito de classes, rever a absurda ideia da “importância” de se manter a aparência, desenvolver métodos educacionais pautados no respeito às individualidades, e que valorize homens e mulheres no mesmo diapasão. Reconhecer sim, a necessidade da religiosidade no processo evolutivo da nossa civilização, mas que evolua, também as religiões.