O combate à pedofilia no Brasil

Enviada em 29/09/2017

O que importa é modificá-lo

Toda questão social implica uma necessidade humana. A essência de uma sociedade é o cuidar dos indivíduos. Em virtude disso, a questão da pedofilia no Brasil hodierno ainda desafia a inteligência humana e os progressos civis como um fator inadmissível, cujas consequências remetem à urgência de combater essa prática. Nesse contexto, em busca de medidas interventivas plausíveis, é imperativo um olhar mais amplo sobre seus aspectos psicossociais e antropológicos determinantes.

Para o neurologista austríaco Sigmund Freud, o ser humano tem impulsos sexuais que o conduzem à atividade. Assim, é possível afirmar que, na óptica da psicanálise, há fatores genéticos que influenciam o comportamentos dos pedófilos, logo, indo além do senso comum, entende-se que a prática da pedofilia diz respeito sobretudo a um problema de saúde pública. No entanto, apesar de sugestivo, isso não significa que o agente de abusos contra menores é uma vítima inocente, na verdade, é condição existencial humana ter impulsos, cabendo aos cidadãos -assinantes de um contrato social- contê-los. Desta feita, é essencial uma saúde pública atuante que auxilie esses indivíduos com distúrbios sexuais, haja vista que a pedofilia pode ser antes de qualquer coisa prevenida e controlada.

Outrossim, em uma perspectiva histórica, a forte entrada da mulher no mercado de trabalho brasileiro, principalmente a partir da segunda metade do século XX, modificou as estruturas familiares até então existentes.Dessa maneira, na contemporaneidade, os infantes passam cada vez menos tempo com suas mães e, por sua vez, acabam ficando mais vulneráveis à ações sexualmente abusivas de terceiros, às vezes até de um próprio familiar. Com efeito, as consequências são arrasadoras, pois a maioria das vítimas desenvolvem sérios problemas psicológicos que as levam a se excluírem do convívio social e, em casos mais graves, à cometer suicídio. Por isso, mudanças são urgentes desde já.

Convém, portanto, que haja um olhar atento às crianças pela família, o que, por intermédio do diálogo e do constante monitoramento do comportamento e das emoções do menor, é possível descobrir e intervir em possíveis atos de abuso sexual contra infantes e, dessa forma, evitar o pior. Contudo, ainda mais essencial do que impedir a continuidade do processo, é preveni-lo. Logo, é imprescindível que o Ministério Público disponibilize maior número de psicólogos e psiquiatras ao sistema público de saúde, além de, por meio de campanhas publicitárias, levar informação à população sobre a necessidade de tratamento de distúrbios sexuais, tudo isso a fim de se prevenir novos casos de pedofilia. Por fim, cabe à sociedade civil já politizada cobrar as medidas supracitadas. Pois, como já dissera Karl Marx, “os filósofos limitaram-se a interpretar o mundo de diversas maneiras; o que importa é modificá-lo”.