O combate à pedofilia no Brasil

Enviada em 28/10/2017

No romance Lolita de Vladimir Nobokov, Dolores de 12 anos fica órfã e recebe cuidados do padrasto que passa a abusá-la. Longe da ficção essa história, infelizmente, parece se repetir entre o panorama brasileiro. Seja pelo padrão comportamental da sociedade e até mesmo pelas suas drásticas consequências, a pedofilia permeia no coletivo e assombra inocentes.

É incontestável que dentre as raízes do problema, esteja a própria natureza da contemporaneidade. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, vivemos em uma modernidade líquida puramente individualista. Isto é, em uma cultura hedonista, na busca pelos prazeres pessoais em detrimento ao coletivo. De maneira análoga, os abusos cometidos a tais vítimas seguem esse mesmo raciocínio, onde o agressor procura nesse ato a satisfação de seus desejos de maneira efêmera e inconsequente. Tais ações ainda são facilitadas com o uso da internet por causa do anonimato, fazendo com que pedófilos seduzem as vítimas através de conversas onlines.

Por outro lado, há as marcas dolorosas efetivadas por essa violência que comprometem o indivíduo. Utilizando o conceito de biopoder do filósofo Michel Foucault, estabelece-se uma relação de poder entre o pedófilo e a vítima pautada de maneira sutil. Ou seja, subjugando e controlando seus corpos a fim de torná-lo útil sob sua posse. Entretanto, aproveitando-se da doçura e inocência pueril, o agressor deixa sequelas fatais na criança ou adolescente. Sejam elas físicas como dores crônicas, emocionais a título de exemplo a depressão, baixo auto-estima, fobias sexuais e até mesmo comportamentais, como o suicídio.

Mediante os fatos supracitados, fica claro portanto, a premência da pedofilia entre a população canarinha. Por isso, é indispensável que o Estado, em especial o Superior Tribunal de Justiça, a efetividade da lei para com a punição desse crime tanto em meio real como virtual, fazendo valer os direitos da crianças e do adolescente previstos no Estatuto. Cabe a escola em parceria com o Ministério da Saúde, a instrução através de palestras de educação sexual para prevenção desse infortúnio desde já nos pequenos. Quanto a família, deve oferecer apoio à essas vítimas violentadas a fim de facilitar o processo de denúncia. Já a mídia com seu alcance propagandístico, deve através de campanhas e alertas informar os cidadãos sobre os perigos na esfera virtual, além de convocar sua ajuda para o combate nessa luta. E finalmente, consoantes essas medidas, o indivíduo alcançará a solidez entre esse fluído consternador, fazendo com que milhares de Lolitas sejam respeitadas e tenham seus direitos resguardados.