O combate à pedofilia no Brasil

Enviada em 14/07/2018

No filme “As Vantagens de Ser Invisível”, dirigido por Stephen Chbasky,  Charlie, um garoto de quinze anos, relata fatos marcantes de seu processo de crescimento. Em uma das cenas, por exemplo, a personagem, fragilizada, revela que sofreu abusos sexuais por membros de sua família na infância. No entanto, essa realidade não se restringe às produções cinematográficas, uma vez que, no Brasil, por exemplo, a pedofilia é realidade de muitas crianças, evidenciando que medidas devem ser tomadas para reduzir tal problemática.

Platão, filósofo do período clássico da Grécia Antiga, em seu livro “A República”, narrou a história de Giges, um pastor que, ao encontrar um anel que o proporcionava invisibilidade, passa a cometer inúmeras infrações. A moral proposta pelo pensador mostra que o ser humano, quando consegue ocultar sua identidade, tende a agir de forma injusta. Essa lógica pode ser verificada até nos dias atuais quando pedófilos, após terem violentado crianças sexualmente, passam a ameaçá-las a fim não só de o crime oculto, mas também para criar, por meio do medo e da repressão da vítima, mecanismos que possibilitem a manutenção da violência sexual.

Além disso, a problemática da pedofilia agrava-se quando o agressor, assim como o mostrado pelo filme de Stephen, faz parte do núcleo familiar da vítima, haja vista que, em muitos casos, a violência praticada é assimilada pela criança como algo natural, muitas vezes confundida com carinho ou “brincadeira” comum nas relações familiares, fato que associado às possíveis ameaças, inviabilizam a  denuncia e, consequentemente, a descoberta da prática. Dados divulgados pela 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), por exemplo, mostram que cerca de 40% dos casos de exploração sexual infantil têm como autores familiares próximos da vítima.

Sendo assim, faz-se necessário combater o problema. Em primeiro lugar, cabe às escolas, por meio de palestras e aulas de ciência, dar ênfase à educação sexual da criança, ensinando-lhe a compreender melhor a fisiologia humana, a fim de possibilitar que ela consiga identificar quaisquer violações ao corpo que lhe sejam feitas, ampliando as chances de denúncia. Outrossim, é necessário que o Ministério da Saúde utilize os recursos midiáticos, tais como as redes sociais,como Facebook e Twitter, para debater, por meio de campanhas, a questão do abuso sexual, evidenciando os inúmeros danos causados  à vítima e a necessidade de denúncia caso o cidadão tenha conhecimento de algum caso de exploração. Dessa forma,  infratores serão identificados e punidos e muitas crianças serão amparadas.