O combate à pedofilia no Brasil
Enviada em 25/02/2018
Definida, segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente, como um desvio sexual que leva indivíduos adultos a se sentirem atraídos por crianças, a pedofilia é um problema grave que a sociedade vem enfrentando ao longo de gerações. De acordo com dados do ministério da saúde, só no ano de 2016 foram 22 mil casos, sendo 57% em crianças de 0 a 14 anos e cerca de 50% dessas denúncias envolviam familiares ou conhecidos próximos como agressores.
Desse modo, é primordial que a sociedade reflita sobre os motivos pelos quais a pedofilia continua crescendo. Deve-se analisar a falta de comunicação e de laços afetivos de confiança cada vez menores dentro dos seios familiares, bem como a falta de responsabilização dos setores de segurança em relação às denúncias recebidas e prevenção de casos novos.
Tem-se observado a crescente ausência dos pais na vida dos filhos em decorrência, principalmente, do estilo de vida capitalista. Esse distanciamento promove vulnerabilidades, visto que, os diálogos estão cada vez mais escassos, dificultando a menção da criança a atos suspeitos, bem como o controle sobre o uso da internet é insuficiente. Isso torna as crianças alvos fáceis para criminosos, tanto através das redes sociais, quanto dentro dos círculos sociais e familiares. Assim, as vitimas sofrem violações do direito à integridade emocional e física, e tem graves consequências físicas e psicológicas que podem se perpetuar pelo resto da vida, como por exemplo gravidezes precoces e fobias sexuais.
No entanto, apesar desse grave panorama, observa-se que os setores de segurança possuem déficits no seguimento das denúncias realizadas ao Disque 100. De acordo com pesquisa realizada pela central de notícias BBC, após o encaminhamento das denúncias aos órgãos locais para investigação, não há controle e acompanhamento dessas investigações, o que acarreta cada vez mais impunidade e dificuldade no combate e prevenção de novos casos.
Assim, é primordial que as famílias, escolas e todos os espaços de convívio estejam atentos para reconhecer sinais de alarme, como mudanças de comportamento e até lesões físicas, promovendo diálogos e escutas qualificadas a fim de identificar situações de abuso. É importante também, que as famílias monitorem continuamente e estabeleçam limites ao uso da internet, principalmente das redes sociais, ferramenta muito usada por abusadores devido ao anonimato que a mesma confere. Ademais, o estado deve intensificar o combate a pedofilia, através da detecção de abusadores por serviços de inteligencia na internet e punições rigorosas com a criminalização desses atos hediondos. Desse modo, é imprescindível que toda sociedade esteja envolvida e corresponsabilizada no intuito de identificar e realizar denúncias, para que se possa encerrar esse ciclo histórico-cultural de violência contra crianças.