O combate à pedofilia no Brasil

Enviada em 28/02/2018

Grito silencioso

Criador do livro “Lolita”, Vladimir Nabokov traz à literatura um amor obsessivo de um professor europeu por uma menina de 12 anos, Lolita. Fora dos livros, os desafios enfrentados no combate ao abuso sexual infantil são uma realidade e exigem uma discussão mais ampla, visto que apesar de ser assegurado pelo ECA(Estatuto da Criança e do Adolescente) o respeito às liberdades individuais, o não cumprimento de tal direito e a ineficiência da lei nesse cenário contribuem para a continuidade do problema.

Em primeiro plano, casos de violência e abuso sexual contra crianças e adolescentes constituem como um alerta à sociedade brasileira. Segundo o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), uma pesquisa realizada em 2011 mostrou que 70% das vítimas de estupro no Brasil são crianças. Nesse sentido, casos de violência sexual envolvendo tal público se tornaram frequentes como, por exemplo, o episódio ocorrido com Fabiane Isadora, de 2 anos, que foi estuprada e morta pelo padrasto no Espírito Santo. Por consequência desse contexto, tal grupo acaba apresentando uma tendência maior a desenvolver graves distúrbios psicológicos na infância.

Em segundo plano, é incontrovertível que a omissão familiar contribui para agravar o problema no Brasil. Isso acontece porque os pais, muitas vezes ocupados com o trabalho, não percebem as alterações comportamentais dos filhos, um “grito silencioso” expresso, geralmente, por meio de uma linguagem não-verbal de pedidos de ajuda, haja vista que em virtude da violência psicológica infligida pelo agressor à vítima, a ocorrência de problemas relacionados ao isolamento social, à depressão e às dificuldades de socialização se tornam maiores.

Diante dos fatos supracitados, torna-se evidente que medidas são necessárias para resolver o impasse. Dessa forma, profissionais do Conselho Tutelar devem, por meio de palestras realizadas nas escolas ou por meio de campanhas midiáticas que ressaltem os padrões de comportamentos das crianças vítimas de abuso sexual,  instruir pais e professores a ficarem atentos à expressão não-verbal das crianças e adolescentes, a fim de minimizar o problema. Em segunda instância, o Ministério da Justiça, deveria julgar os casos de abuso sexual com mais eficiência, assim como aplicar sanções mais severas aos agressores e oferecer amparo jurídico às vítimas. Por fim, o Ministério da Saúde, poderia realizar parcerias público-privada com hospitais, com o intuito de oferecer tratamento psicológico para  as crianças que foram vítimas de abuso sexual para assim, tentar diminuir os efeitos de tal trauma e promover uma ressocialização dessas com o meio novamente.