O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 28/08/2019
O bullying como reflexo da cultura da violência
Em sua obra “Extraordinário”, a escritora R.J. Palácio expõe a história de Auguste, que depois de passar por inúmeras cirurgias que deformaram seu rosto, enfrenta ofensas e exclusão social no ambiente escolar. Fora das páginas, é fato que o bullying está presente em uma significativa parcela de escolas brasileiras, muitas vezes, de forma velada. Dessa forma, as mazelas sociais impostas por esse tipo de violência provém de uma cultura de preconceitos e estereótipos e é alavancada por negligência por parte do Estado.
A princípio, reconhece-se que a incidência do bullying é um problema antigo, que se instaurou devido a uma incessante cultura de violência. Acerca disso, rememora-se o discurso do historiador Florestan Fernandes, que disserta que o fundamento das diversas formas de violência atual está ligado a uma colonização preconceituosa, marcada por agressões físicas e, principalmente, pelo conceito de superioridade de um indivíduo em relação a outro. Desse modo, a persistência do bullying assenta-se na crença colonial de que existe superioridade entre indivíduos de uma mesma espécie, fazendo com que julgamentos, preconceitos e agressões se tornem justificáveis nas mentes dos jovens aderentes a essa prática.
Além disso, é ponto pacífico perceber que se essa cultura da violência persiste - até mesmo em ambientes onde esperar-se-ia bons modos de conduta – é devido à negligência Estatal perante mudanças nesse paradigma. De acordo com o contratualista John Locke, o Estado deve promover qualidade de vida a todo indivíduo independente de sua etnia, gênero ou orientação política. Logo, é inconcebível aceitar que persista-se práticas discriminatórias dentro da sociedade – principalmente no âmbito escolar – haja vista que essa infraestrutura deve, em suma, direcionar os discentes a um caminho melhor, para serem adultos mais engajados e menos preconceituosos.
Portanto, medidas são necessárias a fim de dirimir o bullying nas escolas brasileiras. Para tanto, faz-se necessário que o Ministério da Educação e Cultura (MEC) crie, dentro das aulas de História e Sociologia, uma disciplina de alteridade, por meio de rodas de bate papo e leituras sobre os mais variados tipos de pessoas existentes. Desse modo, os alunos que antes estariam inertes em uma cultura de violência podem atuar como agentes de mudança da própria história, não mais salvaguardando preceitos hostis da Colônia, mas sim construindo, com uso de alteridade, um Brasil mais extraordinariamente pacífico.