O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 29/08/2019

É possível, por intermédio da linguagem simples e coloquial do poema “No meio do caminho”, de Carlos Drummond de Andrade, fazer uma analogia a respeito do bullying no Brasil. Sob tal análise, pode-se ligar a pedra, presente na obra Drummondiana, à crescente repercussão e manifestação da problemática no cotidiano da população. Ainda, constata-se que o revés está atrelado não somente à inoperância estatal, mas também às práticas violentas manifestadas no âmbito familiar.

Em primeira análise, pontua-se o desleixo governamental como precursor do agravamento da situação. No livro “Ética a Nicômaco”, Aristóteles, defende que a política serve para garantir o conforto dos cidadãos. Porém, o descaso das autoridades públicas em relação à busca e implementação de medidas que combatam o bullying nas escolas regulares brasileiras fomenta a atual inadimplência do Estado em solucionar as mazelas sociais. Porquanto, o recente massacre na Escola Raul Brasil no município de Suzano, no estado de São Paulo, exemplifica o desdém. Dessa forma, verifica-se a necessidade de uma reformulação nos valores e nas ações político-sociais, a fim de que o axioma aristotélico retorne ao cerne dos princípios governamentais e os acontecimentos supracitados possam ser mitigados à população.

Outrossim, a desestruturação familiar contribui para a acentuação da problemática. De acordo com a teoria da tábula rasa, de John Locke, “o ser humano é como uma tela em branco que é preenchida por experiências e influências”. Nesse sentido, o filósofo ratifica a importância que os pais possuem no desenvolvimento e na transmissão de valores socioculturais aos descendentes, sobretudo no âmbito comportamental. Todavia, os pais precisam tomar ciência de que ao cultivarem hábitos violentos dentro do núcleo familiar possibilitaram o desenvolvimento, naturalização e a reincidência desses, por parte da criança, no meio social. Afinal, de acordo com o filósofo Rousseau, o ser humano é um produto do ambiente em que vive.

Logo, para que o triunfo sob o bullying seja consumado, urge que o Conselho Tutelar, por meio dos recursos enviados pelo Prefeitura Municipal, promova visitas semanais as famílias da comunidade, de modo a dialogar e propor soluções aos problemas enfrentados no dia a dia. Ademais, essa ação deverá ser posta em prática mediante a participação de psicólogos, com o fito de facilitar a conversação e a compreensão mútua entre os parentes. Ainda assim, parte da verba deverá ser aplicada na implementação de palestras nas escolas, com o objetivo de informar, alunos e pais, sobre os males da violência física e psicológica. Dessarte, a pedra poderá ser removida do caminho social.