O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 21/10/2019

Segundo o sociólogo alemão Dahrendorf, em seu livro “A lei e a ordem”, a anomia consiste em um patamar social no qual as normas reguladoras do comportamento da sociedade perderam sua função. Dessa forma, é per-ceptível que o Brasil encontra-se em um quadro anômico, uma vez que cer-tas problemáticas atuais, como o bullying, contradizem premissas constitu-cionais. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar as causas desse problema.

Em primeira análise, o artigo 5 da Constituição Federal de 1988 afirma que todos os indivíduos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. Não obstante, consta-se que a incumbência estadista de asse-gurar tal igualdade não se aplica atualmente, uma vez que a adversidade em questão, pautada em preconceito, ou seja, na distinção de diferentes atributos, ocorre no país. Segundo o portal do MEC, 10% dos estudantes brasileiros ja sofreram bullying.

Concomitantemente, tem-se a questão parental como parte do proble-ma. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, a indivíduo, desde o seu nasci-mento, está cercado por instâncias sociais, e estas são responsáveis pela formação do seu comportamento. Nesse âmbito, a família possui um papel importante na construção do caráter individual, sendo esse molde refletido futuramente, em suas relações sociais, dentre estas, as escolares.

Em suma, no intuito de reverter o quadro anômico, semelhante ao des-crito por Dahrendorf, faz-se crucial que o Poder Legislativo juntamente ao Ministério da Educação adotem proposições constitucionais que incentive as escolas à realização de assembleias periódicas entre pais, filhos, corpo docente e psicólogos, afim de discutir o comportamento cotidiano dos alunos tanto em ambiente escolar, quanto em ambiente doméstico. Outros-sim, é preciso que o MEC incentive as escolas à adoção de livros que fa-lem sobre o bullying sobre diferentes pontos de vista, como “Extraordi-nário”, de R.J. Palacio, e promova rodas de discussão acerca do tema, também contando com a participação do corpo docente e psicólogos.