O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 01/10/2019
O livro Extraordinário relata a história de August Pullman, um menino que nasceu com uma deformação craniofacial e que, desde cedo, sofre com julgamentos da sua imagem. Apesar de ser uma ficção, o bullying é uma realidade que está presente na vida de vários brasileiros. Nota-se que a falta de formação moral na sociedade e a propagação de discursos de ódio dificultam o combate desse tipo de violência. Urge, portanto, analisar tal realidade de modo a identificar o problema e solucioná-lo.
Em primeiro plano, o bullying é um tipo de violência psicológica persistente e intencional que pode acometer todas as faixas etárias, principalmente o público infantojuvenil, onde a vítima pode ser violentada por conta da aparência física, por exemplo. De acordo com o Índice de Desenvolvimento Humano, dado fornecido pela Organização das Nações Unidas, 56% da formação de uma pessoa advém da família, logo a maioria das questões morais devem ser ensinadas pelo núcleo familiar. Desse modo, negligenciar essa educação para as escolas significa deixar lacunas na construção do caráter da criança, de maneira que pode não haver limites em certas atitudes numa relação social. Devido a isso, tal indivíduo pode tornar-se um agressor e assim colaborar com o aumento da taxa de vítimas do bullying - conforme o Ministério da Educação, 1 em cada 10 estudantes no Brasil sofrem com isso.
Ademais, a propagação de discursos de ódio, seja oral ou virtual, intensifica a ocorrência dessa violência, pois ajuda a manter enraizado os preconceitos. Segundo o conceito de Habitus, do sociólogo Pierre Bourdieu, a sociedade absorve e neutraliza uma estrutura que é imposta à sua realidade, logo disseminar ódio contribui para naturalizar o bullying. Desse modo, o número de agressores tende a crescer, o que aumenta as chances de vítimas traumatizadas poder querer revidar e gerar mais violência. Como exemplo disso, observa-se o Massacre de Realengo que ocorreu no Rio de Janeiro quando o atirador, afetado pelas agressões que sofria, resolveu vingar-se, invadindo a escola e atirando.
Assim sendo, é necessário tomar medidas capazes de educar jovens e crianças e de diminuir a propagação do preconceito. Portanto, cabe ao Ministério da Educação promover palestras nas escolas por meio de reuniões com alunos e seus pais, com o intuito de reforçar a importância do papel da família e de criar uma boa convivência entre os estudantes. Além disso, tange ao Ministério da Saúde promover o apoio psicológico às vítimas e aos agressores, via disposição de psicólogos nas escolas e em centros de apoio, com o objetivo de auxiliar essas pessoas em tal situação para restabelecerem um convívio saudável, desconstruindo mentalidades preconceituosas. Logo, o combate ao bullying no Brasil será efetivo, assim como August Pullman conseguiu vencer essa barreira e viver em sociedade plenamente.