O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 19/09/2019
No desenho animado “O patinho feio”, se tem como fio condutor do conto uma família de patos, onde todos possuem características, interações e maneiras similares; exceto um de seus componentes: O patinho feio. Este é inferiorizado, ridicularizado e segregado por sua forma diferente dos demais. Fora da animação, o conto associa-se naturalmente à necessidade do combate ao bulling no Brasil, que com sua progressão, fundamenta-se no segregacionismo arraigado e na dinâmica do agredido que tende a tornar-se agressor. Ambos os desafios são extremamente importantes de serem analisados e compreendidos.
Em primeiro lugar, é válido salientar que os mecanismos e formas de bulling ao subjugar outro indivíduo é factível e contínuo desde o período das colonizações europeias, embasadas sobretudo por premissas etnocêntricas, encontrando no positivista Auguste Comte uma percepção de marginalização de outros povos em detrimento do referencial europeu. Assim, a evolução do tempo à partir de suas relações interativas fez surgir outras ferramentas e caminhos servis à desvalorização do outro, direta ou indiretamente. Tais relações aventam na ofensa verbalizada e no menosprezo, a atuação do bulling.
Outrossim, Machado de Assis ressalta em uma passagem da obra “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, os vergalhos, açoites e ridicularizações que outrora o ex-escravo Prudêncio passara e que agora replicava no outro escravo, depreciado física e moralmente. “Preto, diabo, besta”; são exemplos adjetivos utilizados pelo agressor. Dado cenário corrobora com a perspectiva do agredido que torna-se agressor. Esse modelo de sucessões é identificado em nossa sociedade brasileira atual e usufrui da internet em face de suas redes virtuais como meio que reproduz o bulling hostil, sarcástico e ofensivamente.
Portanto, é imprescindível que o Estado tome providências que visem o combate ao bulling no Brasil. Com isso, o Ministério da Ciência e Tecnologia deve investir na intensificação da criação tecnológica de fatores algoritmos que viabilizem a detecção efetiva da prática do bulling, bem como seus respectivos agressores, passíveis de medidas civis e criminais correlatas a tais infrações. Essa ação estará vinculada a um programa desenvolvido pelo Ministério da Educação que vise a descontinuidade do ato ofensivo ainda no ensino fundamental e médio. Ambas se farão por meio do Estado em parcerias a instituições de ensino e tecnologia, públicas e privadas. Só então a prática do bulling será combatida e “O patinho feio” será validado como belo cisney.