O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 20/09/2019

No mundo ficcional de “X-men: Evolution”, a mansão X reúne jovens mutantes que foram segregados pelos amigos e familiares devido aos seus superpoderes; nela eles são criados pelo professor Xavier, um mentor que sonha com um mundo pacífico e acolhedor para todos. Paralelamente a isso, urge na pós-modernidade a criação de mecanismos combativos a uma infância nociva e fomentadores do respeito às diferenças. Posto que, o Bullying não só é um reflexo da dificuldade de se conviver com a diversidade, como também lesa o direito fundamental à proteção integral  do infante garantida constitucionalmente.

À princípio, a infância é considerada uma fase de inocência, o que já exprimiu Casemiro de Abreu no século XIX ao defini-la como: “a aurora da minha vida… que os anos não trazem mais”. No entanto, os altos índices de agressões físicas e morais praticadas entre essa faixa etária, principalmente, na escola, contrapõe-se a essa idealização. Desse modo, esse público está sujeito a expressar, quando não submetido a um processo de reflexão, hierarquias sociais pautadas em preconceitos normalizados na sociedade.

Outrossim, ao ser excluída por outros colegas ou sua comunidade, a criança passa a diminuir seu rendimento psicossocial e internaliza um complexo de inferioridade. Assim, a dignidade da pessoa humana, preconizada pelo filósofo Kant, é violada e o indivíduo desrespeitado, inclusive, a negligência dos que estão em torno agrava as sequelas. Não obstante, o caso do ex-aluno que entrou atirando na sua antiga escola, em Realengo, motivado pelas violências que sofria, demonstra a gravidade desses atos.

Torna-se necessário, portanto, a formação de um projeto de abrangência nacional pelo Governo Federal a fim de fomentar um sentimento de  consciência coletiva na sociedade civil. Para isso, cabe ao Ministério da Educação elaborar a cartilha ilustrada: “Infância: Sob os olhos do cuidado”, na qual, em parceria com o Ministério dos Direitos Humanos que irá ensinar os pais e responsáveis a perceber sintomas físicos como cicatrizes e psíquicos a exemplo do isolamento, em seus filhos. Ademais, junto ao Conselho Nacional de Justiça, o qual acrescentará a esse caderno tanto orientações judiciais cabíveis sobre uma responsabilidade reflexiva para cada idade quanto disponibilizará nos principais sites de referência para download, propagará nas maiores redes televisivas e entregará a versão impressa em todas as escolas do país.