O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 04/10/2019
O filme “Ben X” retrata a vida de um adolescente que sofre bullying na escola por conta de sua deficiência, a narrativa foca na história de Ben, um garoto que por possuir a Síndrome de Asperger enfrenta um processo de exclusão social dentro do ambiente escolar. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada pela direção pode ser relacionada ao cenário de intimidação que domina o Brasil, uma vez que devido a cultura do “mais forte” grupos minoritários continuam sendo alvo de agressões, e a ausência de suporte psicológico sustentam o tabu em falar sobre doenças mentais. Primeiramente, é importante destacar que, por causa das pessoas em vulnerabilidade social terem os insultos direcionados a elas, presencia-se um cenário de exclusão que contribui tanto para a dificuldade de aceitação quanto para o aumento das taxas de bullying no Brasil. Segundo uma pesquisa feita pela Fipe, 96,5% das pessoas afirmam ter preconceito contra pessoas com deficiência, fato esse que valida a existência de uma hierarquia que padroniza e seleciona as pessoas que devem ou não serem inclusas. No filme “Extraordinário” por exemplo, Auggie, um garoto de 10 anos que por possuir uma deformidade em seu rosto é tratado como objeto de zombaria após adentrar em uma escola. Deste modo, fica evidente que os grupos mais suscetíveis continuam sendo a principal mira dos agressores. Outrossim, por conta da resistência em abordar temáticas que envolvem saúde mental dentro de ambientes familiares e escolares, cria-se um cenário de solidão para as pessoas que se encontram na posição de vítima. Ao negligenciar o debate sobre temas como esse, ignora-se o fato de que as pessoas pacientes dessas agressões precisam de suporte. Em uma pesquisa feita pelo Pisa, foi declarado que estudantes que tem o apoio dos pais são 3.4 vezes menos propensos a se sentirem excluídos, dado esse que denota a importância da interferência das instituições sociais na vida das crianças e dos adolescentes, e no combate ao bullying.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para resolver o impasse. Para que haja uma restruturação na conjuntura brasileira que se encontra regida pelo bullying, urge que o Ministério de Educação e Cultura (MEC) ofereça programas de preparação aos professores, por meio projetos pedagógicos, a fim de que em da sala de aula os alunos sejam estimulados a trabalhar com pessoas portadoras de deficiências. Ademais, promova reuniões escolares e disponibilize assistência psicológica nas escolas, a partir de verbas públicas, com o intuito de viabilizar conversas sobre a vitalidade mental e dar ao aluno o apoio necessário. Somente assim, será possível incluir as minorias e findar com o conservadorismo quanto a saúde mental dos discentes, atenuando desta forma as taxas de bullying no país.