O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 24/09/2019
De acordo com o Artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos Humanos, da qual o Brasil é signatário desde 1948, todo membro da família humana tem direito à dignidade. Entretanto, mesmo após 70 anos desse compromisso mundial, o bullying entre os jovens brasileiros fere essa prerrogativa. Logo, poder público e sociedade devem buscar caminhos não somente para frear essa violência, mas também educar o cidadão sobre o problema.
É importante ressaltar que, muito em função do descaso governamental, o despreparo dos entres públicos corrobora para atual situação alarmante. Segundo o filósofo inglês Thomas Hobbes, autor da célebre obra “Leviatã”, é papel do Estado manter a nação em harmonia social. Em contrapartida, a prerrogativa hobbesiana é negada, uma vez que as escolas não possuem profissionais, na maioria dos casos, preparados para dialogar e para receber quando a zombaria e as brincadeiras tornam-se bullying - o que inviabiliza a coerção dessas práticas e perimite a sua continuidade. Dessa maneira, é mister que as prefeituras devem criar, com auxílio e com aporte do Ministério da Educação, ofertar cursos de aperfeiçoamento a todos os profissionais do ambiente escolar, no qual se ensine como combater o bullying, como identificar os sinais e como ajudar as vítimas. Assim, a responsabilidade estatal seja, em parte, cumprida e a cultura da paz prevaleça.
Ademais, as entidades de ensino não discutem sobre essa violência veementemente, o que agrava ainda mais essa problemática. Um bom exemplo disso, amplamente divulgado e debatido, foram os massacres em Suzano, neste ano, e em Realengo, em 2011, nos quais alunos entraram nas escolas com arma de fogo e mataram estudantes e professores, ambos crimes motivados, em boa parte, pelo bullying. Isso deixa perceptível como a sociedade precisa trazer esse tema, cada vez mais, para as salas de aulas e, por conseguinte, evitar esse tipo de violência. Por isso, cabe às ONGS e às universidades, cumprindo os seus papéis de formadores sociais, criarem aulas e rodas de debate no ambiente escolar, para toda comunidade participar, através de palestrantes que debatam sobre o bullying e suas problemáticas. Por fim, o cidadão torne-se mais racional e mais corresponsável dos seus atos.
O preparo dos profissionais do ambiente escolar aliada à conscientização da sociedade são, portanto, caminhos para combater o bullying. Por tudo isso, além das medidas citadas, os canais de TV aberta têm o papel de criar, utilizando-se do investimento privado, programas engajados (novelas e séries) e reportagens sobre o tema, haja vista que a televisão causa forte impacto social. Somente assim, será possível criar um país fraterno e preocupado com os Direitos Humanos.