O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 27/09/2019
Segundo Hannah Arendt, filósofa alemã contemporânea, a diversidade é inerente à condição humana de modo que os indivíduos deveriam ser habituados a convivência com os diferentes. No entanto, a agressão sistemática verbal e não verbal, conceituada como Bullying, apresenta-se como reflexo da falta de alteridade que dificulta a aplicabilidade da máxima de Arendt no Brasil. Nesse contexto, é imperativo combater o Bullying presente nas escolas e na internet, assegurando, assim, o direito à vida.
Convém ressaltar, mormente, que o Bullying é motivado, na maioria das vezes, pelo preconceito, pela falta de empatia e pelo desrespeito as singularidades de cada indivíduo. Pode-se observar, nesse sentido, que os agressores utilizam características físicas, étnicas e sexuais para desenvolver a agressão. Prova disso, amplamente divulgado nas mídias, ocorreu no Rio Grande Sul, um garoto de 15 anos foi vítima de agressão violência física e verbal, devido à sua orientação sexual, dentro da sala de aula e não foi socorrido pelo corpo escolar. Esse fato demonstra que é inegável a necessidade de capacitar as escolas para combaterem esse problema social.
Outrossim, com a chegada da tecnologia e a internet o Bullying conquistou, infelizmente, um novo lugar de propagação: o espaço virtual. Consoante a especialista em Bullying e Cyberbulling, Aramis Lopes, a internet aumenta o alcance das agressões, pois proporciona uma sensação de impunidade ao agressor. Desse modo, a violência sistematizada torna-se ainda mais grave para a vítima, com consequências irreversíveis. Na série americana “Os 13 porquês” é possível observá-las, pois a personagem, Hannah Backer, comete suicídio após ser vítima de violência na escola e na internet. Logo, pode-se afirmar que combater o Bullying é preservar a vida de muitos indivíduos.
Urge, portanto, propor medidas para mitigar o Bullying no Brasil. Sendo assim, cabe ao Ministério da Educação fiscalizar a aplicação da lei, criada em 2015, que obriga as escolas promoverem campanhas de conscientização e palestras, ministradas por psicólogos, que ensinem sobre o respeito as diversidades. Além disso, o Ministério da Comunicação, com o aporte financeiro da União, deve desenvolver um aplicativo de denúncias online, gratuito para o celular, para que as vítimas notifiquem as agressões vividas na escola ou na internet. É preciso que a Mídia, por meio de propagandas na televisão, divulgue esse aplicativo e estimulem as denúncias. Espera-se com isso que conviver com as diferenças seja algo alcançável no Brasil.