O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 11/10/2019
Na obra “Cegueira Moral”, do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, é relatada a falta de sensibilidade da sociedade em meio as dores do semelhante, recorrente no século XXI, em conjunto a ausência de sentido da palavra comunidade, em um mundo cada vez mais individualista. Nesse contexto, ao se analisar os casos de bullying no Brasil, percebe-se que a indiferença descrita por Bauman está extremamente presente nos problemas contemporâneos. Esse cenário é fruto tanto da falta de políticas públicas eficientes, quanto do sistema educacional. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim de que se retome o sentido da palavra comunidade, ainda neste século.
Precipuamente, é fulcral pontuar que os casos de bullying derivam da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido a falta de atuação das autoridades, nos processos de integração dos alunos, por meio de atividades, em exemplo o esporte, que possam desenvolver a sensibilidade entre os estudantes. Em consequência, alguns alunos excluem o jovem que é diferente, trazendo problemas de auto estima e psicológicos graves, a quem é excluído, podendo levar ao jovem a cometer o suicídio ou ataques homicidas. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal.
Ademais, é imperativo ressaltar o sistema de educação usual como promotor do problema. De acordo com o pedagogo Paulo Freire, se a educação sozinha não transforma, sem ela tampouco a sociedade muda. Mediante esse pressuposto, a falta de um currículo escolar que valorize as diversas lutas por direitos iguais, como o das mulheres e dos negros, prejudica o processo de entendimento do aluno, sobre o poder da sua atitude na vida da outra pessoa. Logo, a criança não consegue enxergar sozinha o que a sua atitude pode acarretar, então, a pratica de bullying torna-se algo rotineiro em sua vida, e assim, diversos alunos são prejudicados. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que a falta de valorização das lutas dos desfavorecidos contribui para a perpetuação desse quadro deletério.
Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade. Dessarte, que o Ministério da Educação proporcione a criação de leis, a serem aprovadas pelo Senado, que obriguem a implementação no currículo escolar de aulas de sociologia, que debatam os efeitos das várias formas de opressão, por meio de palestras, para que os alunos entendam a importância da sensibilidade com o outro indivíduo -essas aulas serão aplicadas já no ensino fundamental, de modo a acabar com os casos de bullying na fase inicial-. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo do bullying, e a coletividade contornará a Cegueira Moral de Bauman.