O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 30/09/2019

O sociólogo Émile Durkheim, afirma que os fatos sociais são manifestações que agem sobre os indivíduos de forma atemporal e estão presentes em todas as comunidades. Nesse sentido, a intolerância é considerada um fato social que, na contemporaneidade, recebe diversos sinônimos e representações, como o chamado bullyng. No Brasil, principalmente ao analisar o ambiente escolar, nota-se forte presença desse tipo de intolerância que, não somente deixa consequências nas vítimas, mas  também na sociedade em geral e, portanto, remedir tal problemática é imprescindível.

Em primeira análise, é preciso compreender as raízes desse fato social. Nesse viés, o filósofo Voltaire, em sua “Carta para a tolerância”, afirma que o conhecimento humano é limitado e que, é justamente dessa limitação que nasce a intolerância, ou seja, o não reconhecimento e respeito do outro. Assim sendo, denigrir a imagem de terceiros, estereotipando suas subjetividades, está intimamente relacionado com a não completa educação dos cidadãos. Em ambiente escolar, esse desrespeito muitas vezes desabrocha em forma do bullyng. O bullyng, é uma ofensa repetitiva à alguma característica  do indivíduo, que pode ser verbalizado na tonalidade de “piada”, até a casos explícitos de desrespeito à integridade do outro.

Em segunda análise, é necessário elucidar as consequências dessas ofensas às vítimas. Partindo do pressuposto da individualidade do ser humano, os efeitos são diversos, conquanto, existem casos extremos que são, infelizmente, repetidos. Com respaldo, pode-se citar os atentados nas escolas em Realengo em 2011 e Suzano em 2019. Esses ambos episódios, executados por jovens  motivados pelo bullyng vivido no período em que estudaram em seus respectivos colégios. Nesses exemplos, fica evidente que a intolerância praticada reflete em toda a sociedade e, portanto, é necessário estabelecer uma nova moral na sociedade, no qual o respeito prevaleça. Conquanto, de acordo com o filósofo Immanuel Kant, essa ética deve ser desinteressada, como elucida, “agir com o outro como a ti mesmo”, não com a intenção de evitar punições e, sendo essa ética alcançada pela educação.

Diante do exposto, infere-se, portanto, que medidas são necessárias para combater o bullyng no Brasil. Assim sendo, o Ministério da Educação deve deliberar nova matéria curricular, fundamentada no “respeito e tolerância ao próximo”. As aulas serão teóricas e práticas e cabe ao Poder Legislativo instaura-lá através da alteração na lei de Diretrizes e Bases na Educação. A proposta é balizada no pensamento Voltariano e Kantiano de que através da educação, a sociedade é mais harmônica e tolerante. Assim sendo, em uma sociedade na qual os cidadãos respeitam as subjetividades, o bullyng não será mais um fato social e consequências como as de Realengo e Suzano serão evitadas.