O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 02/10/2019

No drama “Preciosa”, de 2009, a personagem Claireece, de 16 anos, negligenciada e violentada pelos pais, era vítima de deboches e agressões sofridos na escola, que contribuíam com o seu isolamento e abando escolar. De maneira similar à realidade, o bullying é uma prática comum na sociedade brasileira, principalmente no ambiente escolar, dado pela visão de violência como fonte de poder, e pela passividade de alguns pais e professores. Nesse contexto, fica evidente que o bullying é uma problemática que urge ser mitigada não somente pelo poder público, como por toda a sociedade.

Convém ressaltar, de início, que a legislação estabelece o Programa de Combate à Intimidação Sistemática, embora a lei ampare todos os cidadãos, dados da Organização das Nações Unidas revelam que, 43% dos alunos brasileiros já foram vitimas de algum tipo de violência dentro da escola. Destaca-se que essa realidade está atrelada ao fato da violência ser vista como forma de força e poder, onde o agressor se sente superior à vitima, realizando inúmeros atos de violência física e psíquica, como, apelidos, xingamentos, e agressões, exercidas intencionalmente com o objetivo de intimidar e humilhar a vítima. Paralelamente, a posição da escola é fundamental nessa questão, visto que, a falta de preparo dos professores em perceberem os sinais, e intervirem na ocorrência do bullying contribui veementemente para que o quadro se perpetue.

Concomitante a isso, tal ideia de efetividade da violência se espalha pelo âmbito familiar, onde alguns pais criam seus filhos de maneira agressiva com intensão de educar através da punição, infiltrando no individuo a ideia de que essa é a forma valida de se impor. Paulo Freire já falava em uma “cultura da paz”, evidenciando o papel da educação na exposição de injustiças, incentivando a colaboração, a convivência com o diferente e a tolerância. Isso comprova a necessidade das famílias ensinarem e praticarem o respeito e a empatia a todas as pessoas, de forma a instruir que a violência não é uma atitude que deve ser cometida ou acobertada em qualquer conjuntura.

Em suma, torna-se evidente que medidas sejam tomadas a fim de atenuar o cenário atual. Por conseguinte, cabe, ao Ministério da Educação, elaborar projetos educacionais, de conscientização e de prevenção à violência, através da implementação de aulas extracurriculares, que ensine e alerte os alunos a cerca das consequências do bullying, a fim de diminuir a incidência dentro das escolas. Ademais, cabe os pais o posicionamento de instruir os seus filhos, através de conversas familiares, em um ambiente amoroso e respeitoso, com o objetivo de ensinar o respeito e a empatia os próximo. Desse modo, a sociedade poderá alcançar a cultura da paz viabilizada pelo educador Paulo Freire.