O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 07/10/2019
Bullying não é brincadeira
O termo “bullying” origina-se da palavra “bully” e significa valentão ou brigão. Ela se caracteriza por agressões, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva. segundo pesquisa do Ministério da Saúde, de 2015, cerca de 21% dos estudantes brasileiros alegaram já ter praticado algum tipo de intimidação ou ofensiva contra colegas. Nesse contexto, a persistência desse problema é preocupante, na medida em que gera traumas aos envolvidos, assim como contribui com a construção de uma sociedade baseada em violência.
A princípio, a filósofa Hanna Arendt cunhou a expressão “banalidade do mal” ao verificar que os homens não cometem atos cruéis por motivações puramente malignas, mas em função do contexto de massificação em que estão inseridos. Consequentemente, os indivíduos cumprem ordens sem pensar - criticamente - a respeito. De maneira análoga, a cultura de agressividade, frequente em escolas, é naturalizada, haja visto que insultos e injúrias são tratadas como apenas brincadeiras, de modo que avançam para episódios cada vez mais perigosos. Além disso, em agravante, a impunidade também é frequente nesses casos, pois famílias e escola são negligentes ao não tratar as manifestações violentas como um problema que precisa ser solucionado.
De outra parte, a vivência de situações hostis coloca corpos, mentes e vidas em risco. Em sua decorrência, desenvolvem-se traumas físicos e psicológicos, que vão desde automutilação à depressão e ansiedade. Ademais, observa-se a formação de um ciclo vicioso, ao passo em que vítimas de brutalidades acabam por reproduzir esse tipo de comportamento, por vingança ou por assimilarem essa como a única forma de se expressar efetivamente. A exemplo desse cenário, o caso do ataque a tiros na escola em Realengo, no Rio de Janeiro, em 2011, teve como responsável um ex-aluno que havia sofrido “bullying” por vários anos naquele lugar. Isto posto, é evidente que a perpetuação desses atos agressivos, dentro e fora dos muros da escola, fortalece a construção de uma sociedade pautada em violência e vai de encontro aos objetivos de uma nação que busca ser desenvolvida.
Urge, portanto direcionar esforços para lidar como transtorno do bullying no Brasil. Cabe ao Ministério da Educação oferecer preparo adequado aos professores para identificar possíveis casos e tratar do assunto em sala, mediante a realização de cursos de aperfeiçoamento e inclusão do tema no currículo das licenciaturas. O intuito é estimular a empatia e a criação de uma cultura de paz em que vítimas e agressores possam ser acolhidos e possam, assim quebrar o círculo vicioso. Além disso, cabe às ONGs oferecer apoio jurídico, psicológico e social para integrar vítima e agressores à sociedade.