O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 31/10/2019
No filme “Preciosa”, a personagem Claireece sofre agressões verbais em sua escola por ser gorda e negra. Mesmo fora dessa instituição, essa crueldade persiste em suas redes sociais. Infelizmente, fora das telas, esse bullying - assédio cruel - vitimiza milhares de alunos no Brasil hodierno. Há uma negligência do Estado em prover métodos de fiscalização desses crimes de ódio no mundo virtual e um despreparo de pais para dar suporte aos seus filhos. Consequentemente, presencia-se inúmeras crianças e adolescentes sofrendo com o bullying e desenvolvendo doenças que, muitas vezes, culminam em tragédias. Assim, essa problemática é inconcebível e urge combate-la
Em primeiro lugar, é importante destacar o descaso do Estado em garantir um ambiente seguro nas plataformas digitais para os alunos. Ainda que a Lei Nº 13185 estabeleça a punição contra brasileiros que publiquem comentários odiosos na internet, mais de 500 mil denúncias, a cada ano, não são devidamente averiguadas por falta de softwares e profissionais especializados. O que corrobora para hostilidades e ataques contra vítimas indefesas. Somado a isso, a maioria dos pais não conseguem amparar seus filhos agredidos nas escolas. Para o educador francês Eric Debarbieux, há pouco diálogo familiar aberto e franco, o que intensifica a angústia de vítimas e inviabiliza a inserção de recursos, como psicoterapias ou apoio jurídico, já que pais não conseguem reconhecer a gravidade do assédio.
Por conseguinte, verifica-se um preocupante número de adolescentes e crianças sendo reféns do bullying e psicologicamente traumatizadas. Consoante às informações do site G1, 150 milhões de brasileiros sofrem com essa violência e mais de 80% deles desenvolvem transtornos de ansiedade e depressão. Esses tristes dados não só mitigam o aprendizado desses indivíduos nas escolas, como também provocam tragédias no país. Um exemplo disso, é o atentado ocorrido em 2018, na cidade de Susano, em que dois alunos transtornados, vítimas de chacotas, entram armados em suas escolas e matam 10 alunos. Destarte, o bullying se torna uma questão de saúde e segurança pública.
Logo, a partir do despreparo tanto do Governo em fiscalizar os crimes de ódio na internet, quanto dos pais em prover suporte aos seus filhos, surgem inúmeros brasileiros reféns do bullying e mentalmente doentes. Assim, urge que o Estado, por meio de decretos, instale, imediatamente, programas de inteligência artificial em fiscalizações contra assédios no mundo virtual, a fim de facilitar o reconhecimento de comentários odiosos e punir os infratores.. Além disso, é necessário que essa medida também abarque a promoção de campanhas nas redes sociais, como Facebook, Instagram e sites do governo, educando os pais sobre os perigos do bullying e a importância de um bom diálogo com os filhos para conseguir ampara-los. Dessa forma, assédios e atentados serão combatidos.