O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 09/10/2019

A série canadense “Anne with an e” destaca-se por abordar diversas temáticas, dentre elas, o bullying sofrido pela personagem Anne Shirley, no período escolar, por não se enquadrar no padrão de beleza comum entre as colegas de classe. Nesse contexto, observa-se proximidade para com a realidade brasileira, no que concerne à problemática do bullying nas instituições públicas de ensino, sobretudo pela negligência estatal e pela cultura de exclusão e imposição do que é considerado diferente, o que ocasiona graves prejuízos sociais à população brasileira.

Em primeira instância, ainda que a legislação discrimine o bullying, o Estado não assegura, na prática, ações de efetivação. A esse respeito, o sociólogo Zygmunt Bauman conceituou, em sua obra “Modernidade Líquida”, as “instituições zumbis”, entidades que perderam sua função social, mas mantém - a qualquer custo - sua forma. Nesta perspectiva, o Estado Democrático e de Direito encaixa-se na configuração de Bauman, a medida que mostra-se indiferente à problemática, com a ausência de acompanhamento pedagógico aos alunos nas escolas quanto a normalização do bullying e seus efeitos na formação do cidadão brasileiro. Com isso, é incoerente que o país almeje o desenvolvimento  nacional e o bem estar social e tenha a imagem do valentão e do aluno indefeso, nas escolas  brasileiras, como prerrogativa comum ao isolamento do estudante nas relações interpessoais.

De outra parte, o tradicionalismo evidente, na contemporaneidade, aliena a diversidade cultural e  social no meio escola. Nesse viés, a personagem Mercedes, da série televisiva “Glee”, encontra  entraves para sua inclusão e aceitação no meio social, o que ocasiona, em diversos momentos,  ataques discriminatórios - verbais e físicos - pelo seu corpo não estar de acordo com as normas  estéticas impostas. Ademais, não obstante ao papel da escola, como ambiente de aprendizado e de  possibilidades ao desenvolvimento da comunicação e das relações coletivas, há o isolamento como  consequência do bullying praticado, de modo a apresentar-se como causa ao desenvolvimento da  depressão precocemente, por exemplo, sob pena de graves prejuízos à saúde brasileira.

Destarte, urge a primordialidade de ações que visem atenuar a problemática. Para isso, cabe ao  Ministério Público Federal, junto ao Ministério da Educação, implantar, em todo o território do país, o  programa Coordenador de Pais, projeto que une escola e pais dos alunos, por meio de especialistas  pedagógicos e assistentes sociais, o qual visa o acompanhamento psicossocial aos estudantes e a adequação de todos, sem distinção de natureza, além de repudiar quaisquer atos  discriminatórios de exclusão, conforme um padrão ideal na imagem do aluno. Dessa forma, a  diversidade social, no meio estudantil, será valorizada e o combate ao bullying, omisso a Anne Shirley, será efetivado.