O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 10/10/2019
Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, ainda que cada indivíduo possua sua individualidade, esta se entrelaça no contexto social dos diversos grupos e instituições dos quais participa. Ao considerar esse olhar como ponto de partida para a discussão acerca o combate ao bullying no Brasil, é notória a influência de diversos atores sociais sobre a construção desse problema. Torna-se pontual, nesse sentido, não apenas questionar como as escolas atuais ainda se mostram pouco eficazes no combate ao bullying, mas também analisar seus impactos no organismo social.
Em primeira observação, cabe compreender o papel que a esfera educacional pouco instruída para esse combate catalisa a problemática. Evidencia-se, assim, a ótica de Bourdieu, na medida em que as instituições de ensino geram uma situação que interfere na individualidade das pessoas daquele meio. Vale salientar, também, a falta de profissionais adequados nas instituições públicas como problematizador do tema, sendo estes responsáveis por fazer o reconhecimento e o encaminhamento dos casos e das vítimas, em razão dessa ausência assistencialista. Diante disso, mostra-se essencial um melhor aparelhamento das escolas públicas brasileiras, de modo a melhor lidarem com o bullying, e, por conseguinte, inibirem sua prática.
Paralelamente à questão institucional, outro ponto relevante, nesse cenário, é como o contexto pós-moderno dificulta o combate à problemática. Atesta-se, nessa perspectiva, o viés de Zygmunt Bauman, pois, em sua obra “O mal-estar na pós-modernidade”, o pensador advoga que o indivíduo contemporâneo age de maneira irracional por ser vitimado pela cegueira moral. Isso significa que a sociedade não alerta seus indivíduos para reconhecerem o bullying como a consolidação de preconceitos e de violência nos indivíduos em crescimento, configurando-se cegas pela analogia do sociólogo e dificultando seu combate. Por consequência disso, cabe também analisar a perpetuação de atitudes discriminativas pelos praticantes de bullying em razão da não contenção de suas atitudes prévias na fase escolar, danindo a sociedade como um todo. Configura-se como determinante, portanto, a reestipulação de valores sociais para atrair os indivíduos para o combate a essa causa.
Entende-se, diante do exposto, a necessidade de medidas serem implantadas para atenuar o quadro atual. A princípio, cabe ao Ministério da Educação o fomento do aparelhamento escolar, pela criação de uma nova diretriz educacional que requira a presença de profissionais da área de psicologia nas escolas, dessa maneira, favorecendo a saúde mental dos estudantes, bem como o encaminhamento dos casos de bullying, inibindo-o. Ademais, cabe ao Ministério do Desenvolvimento Social a criação de uma campanha publicitária que, ao ser implantada nas mídias tradicionais brasileiras, alerte a população sobre os possíveis desdobramentos do bullying na vida do indivíduo, conscientizando o corpo social e o atraindo para o combate. Com essas iniciativas, espera-se que o entrelaçar entre os agrupamentos sociais, proposto por Bourdieu, possa conduzir a relações mais humanizadas.