O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 13/10/2019
Em um episódio da série “Todo Mundo Odeia o Chris”, o protagonista Chris sofre agressões pelo fato de ser o único indivíduo de etnia negra de sua turma do colegial. Fora da ficção, na contemporaneidade brasileira, a reprodução de casos semelhantes de “bullyng” reforça a necessidade de idealizar estratégias efetivas contra o desenvolvimento dessa idiossincrasia negativa. Nesse ínterim, apesar de Aristóteles e Paulo Freire terem garantido averiguações primordiais nesse âmbito, a repercussão da visão decadente dos pais sobre educação e a desvalorização das relações entre professor e aluno têm intensificado tal problemática.
Em primeiro lugar, a perspectiva familiar educacional, datada desde a democratização do ensino no século XVIII, conserva interpretações inconsistentes à proporção que relaciona às especialidades das escolas como provedoras de instrução completa ao aluno, o que torna o conhecimento do filho(a) precário e facilita a ocorrência de “bullyng” nesses ambientes. Em face disso, o filósofo Aristóteles, no livro “Ética a Nicômaco”, refuta essa visão concebida na medida em que constata a necessidade da participação conjunta da família e do núcleo escolar na aprendizagem íntegra desse aluno. Posto isto, a ocorrência dessa influência conduz análises pela USP, que apontam a deficiência desse relacionamento familiar como peça chave do comportamento inadequado dos alunos na escola.
Nessas circunstâncias, com o prologamento da hierarquização do ensino, as relações desprovidas de diálogo crítico entre docente e discente tornam o conhecimento escolar deficitário na medida em que a timidez promovida pelo estudante desencadeia provocações nas salas de aula e inadmissíveis casos de “bullyng”, a exemplo da realidade vivida por Chris na série. Nessa linha de pensamento, o pedagogo Paulo Freire, na obra “Pedagogia do Oprimido”, infere que esse vínculo de subordinação altera o objetivo da educação, que deveria ser de coordenação comunicativa entre professor e aluno. Dessa forma, estes fatores contribuem para a compreensão da pesquisa da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico, que evidencia o registro semanal de 10% das escolas brasileiras pela permanência dos casos de “bullyng” nas salas de aula.
Destarte, são impostergáveis medidas para ampliar as relações familiares e valorizar o relacionamento entre professor e aluno. Nessa perspectiva, o Ministério da Saúde em sinergia com o Ministério da Educação devem criar debates nos canais de televisão, de modo que sejam dialogados entre educadores e sociólogos, a fim de incentivar a educação familiar e garantir maior participação escolar do docente e discente. Somente assim, construir-se-à uma visão familiar adequada do ensino e de destaque das relações na escola, tornando os episódios sofridos por Chris apenas obras de ficção.