O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 13/10/2019
Na obra “Cegueira Moral”, do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, é relatada a falta de sensibilidade da sociedade em meio as dores do indivíduo, em conjunto a ausência de sentido da palavra comunidade, em um mundo imerso no individualismo. Nesse contexto, ao se analisar os casos de bullying no Brasil, percebe-se que a indiferença descrita por Bauman é extremamente presente nos problemas do século XXI. Esse cenário é fruto tanto da falta de políticas públicas eficientes, quanto de uma ação educacional ineficaz. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim de que se retome o sentido da palavra comunidade, ainda neste século.
Precipuamente, é fulcral pontuar que os casos de bullying derivam da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, no processo de integração dos alunos, por meio de atividades, em exemplo o esporte, que possam desenvolver a simpatia entre os estudantes. Em consequência, alguns alunos excluem o jovem que é diferente, trazendo problemas de auto estima e psicológicos graves, a quem é excluído, podendo levar o jovem a cometer suicídio ou um ataque homicida. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal.
Ademais, é imperativo ressaltar o sistema educacional usual com promotor do problema. De acordo com o pedagogo Paulo Freire, se a educação sozinha não transforma, sem ela tampouco a sociedade muda, Mediante esse pressuposto, a falta de um currículo escolar que valorize as diversas lutas por direitos iguais, como o das mulheres e dos negros, prejudica o processo de formação da sensibilidade do aluno com o outro. Logo, a criança não entende que sua atitude pode acarretar problemas graves na vida do outro aluno, e então, a prática de bullying é realizada diariamente, acentuando a falta de sensibilidade descrita por Bauman. Isso justifica outra causa do problema: se o jovem não debate sobre os modos de opressão, sua visão será limitada, o que dificulta a erradicação do problema.
Portanto, é possível defender, que impasses econômicos e sociais constituem desafios a superar. É fundamental, em vista disso, que o Ministério da Educação proporcione a criação de leis, a serem aprovadas pelo Senado, que obriguem a implementação nas escolas, de aulas que debatam os efeitos das várias formas de opressão, por meio de dinâmicas de grupo, para que os alunos entendam a importância da sensibilidade com o outro indivíduo -essas aulas serão aplicadas já no ensino fundamental, de modo a acabar com os casos de bullying na fase inicial-. Desse modo, atenuar-se-á, o impacto nocivo do bullyng, e a sociedade contornará a Cegueira Moral de Bauman.