O combate ao bullying no Brasil
Enviada em 18/10/2019
Bullying é um produto social
Segundo pesquisa realizada pelas Nações Unidas, 43% dos alunos brasileiros já sofreram bullying. Esses são os números de uma violência física e psicológica que ocorre de forma sistemática e velada no ambiente escolar. Essa prática é o retrato social do meio em que o agressor vive. Pois, a forma como as relações interpessoais são definidas atualmente e a constante naturalização da violência produziram um meio hostil.
Convém lembrar que, a prática do Bullying carrega consigo algum tipo de ganho social. Tendo em vista que, o agressor ganha popularidade ao cometer a violência e se sente mais poderoso. Pois, os que assistem a esse tipo de violência ou acham engraçado ou têm medo de serem os próximos. Como já foi teorizado pelo filósofo Foucault, o poder não é só um aspecto da vida do homem, mas sim a base de todas as relações sociais humanas. Dessa forma, há sempre um dominador e um dominado. Portanto, ao saber que causar sofrimento em outra pessoa é o que traz popularidade, a sociedade precisa deixar claro o que é aceitável e o que não é.
Em consequência disso, não naturalizar relações violentas é fundamental. Portanto, um professor minimizar conflitos entre dois adolescentes como algo normal para a idade é uma atitude que invalida o sentimento de angústia da vítima e encoraja o agressor. Dessa forma, pode-se inferir que o praticante do bullying não pensa ao agir, ele se assemelha a uma engrenagem no funcionamento da sociedade em que vive. Sendo assim, nota-se analogamente o que a filósofa Hannah Arendt chama de “Mal Banal”, porquanto o que o caracteriza é a ausência de pensamento e isso causa a privação de responsabilidade.
Logo, o bullying é produto da sociedade. Dessa forma, faz-se necessário informá-la para que se consiga perceber os comportamentos típicos da vítima e do agressor, explicitar exemplos de como o meio social costuma naturalizar a violência e como agir diante da prática do bullying. Sendo assim, como é função do Executivo a operacionalização de políticas públicas, o Ministério da Educação precisa criar campanhas educativas para informar aos cidadãos sobre o Bullying e colocá-las no Plano Plurianual da pasta para garantir a sua continuidade. Tendo em vista que, os sinais são baseados em comportamento e isso é muito diferente dos que as pessoas estão acostumadas e traz o debate para a sociedade a fim de demonstrar a sua importância. Além disso, os aparatos de comunicação é um espaço político com capacidade de construir opinião pública, formar consciências, influir nos comportamentos, valores, crenças e atitudes.