O combate ao bullying no Brasil

Enviada em 23/10/2019

No desenho animado ‘‘Pica-Pau’’, o protagonista agride repetidamente o seu vizinho Leôncio, com brincadeiras de mal gosto, prejudicando-o diversas vezes. Infelizmente, a realidade nas escolas brasileiras está em consonância com a ficção, haja vista a existência do bullying. Essa prática é fruto da reprodução de comportamentos vivenciados no ambiente familiar, por parte do agressor, e da estrutura arcaica do sistema educacional brasileiro, pouco focado em uma educação cidadã.

Em primeira análise, faz-se importante destacar que uma família desestruturada e dotada de práticas violentas afeta o desenvolvimento infantil, pois, a única referência notória de relações interpessoais que a criança possui são as domiciliares. Logo, na escola, é natural que essa criança reproduza com os colegas o que vive em casa, usando, para isso, o bullying. Tal fato é fruto da sociedade patriarcal, estabelecida desde a colonização, a qual é responsável, de acordo com o professor Boaventura de Sousa Santos, pelo estabelecimento de uma lógica de dominação violenta, centralizada na família e reproduzida com o passar dos anos. Consequentemente, o bullying é o resultado da perpetuação de um núcleo familiar doente.

Além disso, a estrutura educaciona brasileiral não é cidadã e contribui para a permanência do bullying em centros de ensino, já que em uma educação global, o respeito às diferenças é fomentado por meio da convivência. A título de comparação, na Finlândia, país conhecido por ter um dos melhores sistemas de ensino do mundo, as crianças passam pouquíssimo tempo na escola, uma vez que a preocupação dos diretores e professores é permitir a brincadeira ao ar livre, enquanto os pequenos interagem e conhecem mais de si mesmos e dos outros. Com esse modo de educar, é possível sintetizar o respeito ao próximo na prática e combater, por conseguinte, o bullying.

Nota-se, portanto, que as raízes históricas e as políticas educacionais da atualidade são ímpares na existência da problemática. Desse modo, é indispensável que o Ministério da Educação, encarregado de administrar o ensino no país, crie canais de diálogo entre a escola e os estudantes, de modo que as crianças sejam livres para falar sobre o que ocorre em casa. Além disso, o órgão deve, também, estimular o contato lúdico entre os pequenos. A primeira ação pode ser realizada por meio da obrigatoriedade de psicólogos em centros educacionais, que acompanhem as turmas e identifiquem as relações ali estabelecidas. A segunda, por sua vez, deve ser feita através da alteração na matriz curricular, destinando uma carga horária específica para a brincadeira entre as crianças, submetendo-as a um tempo menor em sala de aula. Com essas medidas, é possível identificar agressores e vítimas, além de sintetizar a cidadania.